• hikafigueiredo

"Doutor Sono", de Mike Flanagan, 2019

Filme do dia (150/2020) - "Doutor Sono", de Mike Flanagan, 2019 - Trinta anos após os acontecimentos do Hotel Overlook, Danny Torrance (Ewan McGregor) é um homem adulto que tenta calar suas memórias e poderes paranormais através do álcool e das drogas. Sua chegada à uma pequena cidade do interior mudará esse cenário e Danny terá de encarar, finalmente, seu "brilho".





Li o livro "O Iluminado", de Stephen King, há bem uns trinta anos. Assisti ao filme de Kubrick (1980), há mais ou menos o mesmo tempo. Qualquer um que tenha feito isso sabe que livro e filme são beeeeem diferentes, ainda que ambos sejam brilhantes (com perdão ao trocadilho involuntário). Não li "Doutor Sono", mas é perceptível que a história do filme aproxima-se mais do ambiente sobrenatural do livro "O Iluminado" do que da situação de insanidade da obra de Kubrick, motivo pelo qual acredito que o filme tenha sido fiel ao livro de King. Sendo assim, "Doutor Sono" ganha pontos para quem espera que filmes sejam fidedignos a livros antecessores. No entanto, "Doutor Sono" apropria-se de recursos do filme de Kubrick, tentando ser uma continuação deste... e daí a coisa fica meio confusa. Como filme baseado em um livro e como obra cinematográfica pontual, "Doutor Sono" é legal e tem muito mais méritos do que defeitos - consegue criar atmosfera de apreensão, instiga, envolve, desenvolve bem os personagens criando, no público, empatia ou aversão a estes e desperta emoções. Mas, como continuação de um dos melhores filmes de terror de toda a história do cinema, falha e falha miseravelmente. Em outras palavras: o filme é bom sim, mas, na comparação com "O Iluminado", perde-se completamente. E por quê se perde? Porque segue outra linha - a do livro -, mas tenta não perder de vista o filme - através do reaproveitamento do ambiente do hotel e dos próprios personagens (existem cenas em que outros profissionais mimetizam os personagens do filme "O Iluminado" interpretados por Jack Nicholson, Shelley Duvall e Danny Lloyd; tosco, isso). Em suma... o filme não está lá, nem cá, acaba com "um pé em cada barco", o que faz perder sua personalidade, seu brilho próprio (outro trocadilho involuntário). Mas... esquecendo "O Iluminado" e atendo-se ao filme em si, a história é muito boa - o que era de se esperar, já que baseado no livro de Stephen King, autor perfeito no que se propõe. O desenvolvimento da narrativa é lógico e suave. Os personagens são bem estruturados, nada é gratuito. A construção do clima de tensão é ótima, conseguiu "me pegar" em cheio. O filme está mais para terror psicológico do que para jumpscare - e, por si só, isso já é mérito maior da obra. Direção de arte e fotografia muito boas, mas, infelizmente, excessivamente atreladas ao filme de Kubrick. Sou suspeita para falar de Ewan McGregor porque sou fanzaça dele, então, para mim, ele está ótimo, como sempre está. Palmas para Rebecca Ferguson como Rosie - "creepy" até os ossos. Boa interpretação, também, da jovem Kyllegh Curran como Abra. Ó... esquecendo "O Iluminado", "Doutor Sono" cumpre seu papel de filme de terror. Achei válido e injustas as críticas tão negativas, dá para ver bem de boa.

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