• hikafigueiredo

Em Nome de Deus", de Brillante Ma. Mendoza, 2012

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Filme do dia (105/2019) - "Em Nome de Deus", de Brillante Ma. Mendoza, 2012 - Filipinas, 2001. O grupo guerrilheiro Abu Sayyaf, ligado a extremistas islâmicos e à Al Qaeda, invade um resort e sequestra um grupo de hóspedes, dentre os quais a missionária cristã Thérèse (Isabelle Huppert). Durante mais de um ano, Thérèse e outros reféns permanecerão em poder dos guerrilheiros, sobrevivendo à selva e aos conflitos entre os separatistas e o exército.





A obra foca na sobrevivência do grupo de reféns, sem entrar muito no mérito quanto às razões da guerrilha e na situação geral do país. No entanto, ainda que não apoie qualquer dos lados do conflito - até mesmo porque um sequestro é sempre um sequestro, não dá para defender a ação em si, ainda mais naquelas condições -, o diretor não "passa pano" para ninguém: os sequestradores são fanáticos (ainda que, dentre eles, existam os mais equilibrados e os mais sanguinários), mas os governantes e as tropas do exército estão longe de serem os heróis da história, agindo, insensivelmente, no sentido de acabar com o grupo guerrilheiro, sem se preocupar muito com os reféns. Assim, os sequestrados acabam entre o fogo cruzado da guerrilha e do exército, morrendo como moscas, sem a defesa de qualquer dos lados. O filme consegue passar bem a agonia da vida na selva, o desconforto de viver em condições extremas, sob sol e chuva, à mercê dos insetos e de animais selvagens e, ainda por cima, sob a mira dos contendentes dos dois lados. Apesar do roteiro bem amarrado, senti falta de um melhor desenvolvimento da personagem central - Thérèse é meio insossa, não consegui me envolver de verdade com sua figura e mesmo naquelas condições desumanas, não desenvolvi verdadeira empatia por sua situação (tampouco desgostei dela - ela é, simplesmente, uma personagem sem apelo). Curti a forma como a câmera foi usada, com forte tom jornalístico - muitas são as cenas em que a câmera parece furtiva, como se observasse, escondida, os acontecimentos, o que deu um tom interessante à obra. Também a montagem foi bem desenvolvida, principalmente nas várias cenas de conflito armado e fuga. Não entendi para quê mostraram uma cena real de parto (meu Deus, quem topou filmar a cena do parto de seu filho para colocar no filme ???). Quanto às interpretações, o foco total é em Isabelle Huppert que, à despeito de seu talento indiscutível, não brilhou tanto como de costume, certamente por conta das limitações impostas à personagem (como eu disse, personagem chocha sem gracinha, sem tempero). É um filme interessante, principalmente por retratar uma realidade tão diferente e distante de nós, mas que merecia um cuidadinho a mais no roteiro, de forma a envolver mais o público. Ainda assim, valeu a visita.

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