• hikafigueiredo

"Ervas Flutuantes", de Yasujiro Ozu, 1959

Filme do dia (47/2020) - "Ervas Flutuantes", de Yasujiro Ozu, 1959 - Uma trupe de artistas de teatro chega a uma pequena cidade. O diretor do grupo, Komajuro Arashi (Ganjirô Nakamura) esconde um segredo que, ao ser descoberto por sua companheira Sumiko (Machiko Kyô), trará problemas para todos os envolvidos.





Refilmagem de uma obra anterior do diretor ("Uma História de Ervas Flutuantes", 1934), o filme acompanha as relações interpessoais entre os integrantes do grupo e a interação destes com o "segredo" escondido pelo diretor da trupe. Achei a obra bem menos intimista que outras tantas do diretor, assim como me surpreendi com o ritmo muito menos lento que o seu usual. Não sei se foi uma percepção pessoal equivocada minha, mas também considero o filme menos "sensorial" que outras obras de Ozu - apesar de meu interesse na narrativa, não consegui "senti-la", apenas assisti ao filme, numa posição de observadora externa (será que estou conseguindo me fazer entender? rs). A direção de Ozu permaneceu excepcional, mas alguns quesitos técnicos não me agradaram: a fotografia colorida me pareceu muito "lavada", esmaecida, o que me trouxe certa melancolia que não sei se foi proposital, mas desconfio que não; além disso, detestei parte da trilha sonora, em especial uma musiquinha, para mim completamente equivocada e insistente, que toca na chegada do grupo de artistas à cidade e que, para mim, estaria mais adequada a uma comédia italiana da década de 60 (nossa, essa música me cortou totalmente o "clima" do começo do filme). No elenco, temos figuras carimbadas do cinema japonês: a maravilhosa Machiko Kyô (de "Rashomon" e "Rua da Vergonha"), o ótimo Chishu Ryu (de "Era Uma Vez em Tóquio", "Pai e Filha" e "Crepúsculo em Tóquio") e a fantástica Haruko Sugimura (também de "Era Uma Vez em Tóquio" e mais n filmes de Ozu), com destaque para Michiko Kyô; ainda não conhecia Ganjirô Nakamura, cuja interpretação me agradou bastante; também não conhecia Hiroshi Kawaguchi, aqui no papel de Kiyoshi, que não me impressionou. O diretor Ozu jamais erra a mão e, mais uma vez, fez uma obra impecável. Recomendo.

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo