• hikafigueiredo

"Escritores da Liberdade", de Richard LaGravenese, 2007

Filme do dia (69/2018) - "Escritores da Liberdade", de Richard LaGravenese, 2007 - Em uma escola de Los Angeles, a novata e idealista professora Erin Gruwell (Hilary Swank) assume uma turma de alunos com sérios problemas sócio-econômico e familiares. A despeito de todos os obstáculos que surgirão, a professora não desistirá de seus alunos - mesmo que eles não acreditem neles próprios.





Existem filmes que são imensos pela qualidade de cinema neles contida. São obras cuja criatividade, a linguagem cinematográfica, os atributos técnicos, as interpretações - ou tudo isso junto - são, por algum motivo, excepcionais. Por outro lado, existem filmes que cinematograficamente são comuns, medianos, nada incríveis, mas, por conta dos assuntos abordados, tornam-se indiscutivelmente importantes. "Escritores da Liberdade" reside no segundo grupo. Apesar de ser um filme sem qualquer característica extraordinária, daqueles que veríamos mil vezes na Sessão da Tarde, trata de uma temática tão bacana, tão vital, que a obra cresce e mexe com o espectador. Baseada em fatos reais, a história expõe como uma educação libertadora, fundada na vivência dos alunos e não apenas conteudista pode ser transformadora, mudando a realidade e o destino dos alunos. A professora Erin, aproveitando a experiência de vida dos alunos - todos envolvidos em dramas pessoais pesados, vítimas de uma sociedade injusta e desigual e envoltos por toda a sorte de problemas - consegue despertar seu interesse, tocá-los e arrancá-los de uma inércia que fatalmente os levaria a reproduzir a mesma lógica injusta e violenta. O filme tomou conta de mim pela temática, por colocar na tela algo em que eu acredito e acender uma fagulha de esperança dentro da minha alma alquebrada (anda difícil crer que existe alguma luz no fim do túnel.... e QUE túnel...). A obra ainda tem a virtude de expor diferentes tipos de preconceito - o racial, o social e o de gênero (o último na figura - desprezível, diga-se de passagem - do marido da professora, que não aceita não ser o centro das atenções da esposa, o seu norte, a sua estrela-guia... >>>> ironia mode on). Tecnicamente, tudo bem padrão e dentro dos conformes. Hilary Swank, apesar de ser uma ótima atriz, não brilha nesta obra, permanecendo aquém de seu talento. Do elenco, gostei bastante do trabalho da atriz April L. Hernandez como Eva - ela tem um olhar muito expressivo, uma força bem visceral - e da veterana Imelda Staunton como a odiosa assistente de direção da escola - que vontade de esfregar a cara da personagem no asfalto quente!!!! O filme é comum, mas vale a pena ser visto, vale mesmo. Recomendo, especialmente para professores.

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