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  • hikafigueiredo

“Estranhas Metamorfoses”, de Harry B. Davenport, 1982

Filme do dia (30/2023) – “Estranhas Metamorfoses”, de Harry B. Davenport, 1982 – Após ser abduzido por seres alienígenas e ficar ausente por três anos, Sam (Philip Sayer) retorna à Terra e tenta se reconectar ao seu filho Tony (Simon Nash). No entanto, ele não é mais a mesma pessoa que seu filho conheceu e traz, consigo, um segredo terrível.





Seguindo o box “Sci-Fi – Anos 80”, da Versátil, deparo-me com um filme complicadinho de tentar explicar. Ainda que apele para o grotesco e conte com efeitos especiais toscos, por vezes nojentos, mas que podem ser bastante impactantes, a obra consegue manter uma atmosfera constante de tensão, mostrando-se um filme bastante perturbador. É curioso que, ao contrário de outros nichos, como o caso do subgênero “terrir”, em que os efeitos especiais ruins levam a um certo clima de deboche e humor, aqui temos um resultado diferente, algo meio pesado, um sentimento ruim, que, para mim, foi o grande diferencial do filme. O roteiro, surgido na esteira do sucesso de outras obras de ficção científica acerca de alienígenas, como “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) e “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979), não merece ser desprezado, pois não deixa de ser interessante a ideia do retorno do personagem abduzido para buscar o filho, ainda que tenha se transformado em uma criatura muito diferente do ser humano levado anos antes – e aqui acho que há um diálogo bacana com outra obra do gênero sci-fi, o excelente “Invasores de Corpos” (1978), refilmagem do igualmente ótimo “Vampiros de Almas” (1956), pois ambos retratam os alienígenas como potencialmente perigosos, perversos e discretos em suas ações. O ponto frágil do filme é claramente sua baixa qualidade técnica, provavelmente advinda de um orçamento bastante limitado, o que não o impediu de ter ganhado uma legião de fãs que o elevaram ao status de “cult movie” (tanto que ganhou duas sequências). Os destaques (negativos) ficam por conta da musiquinha de sintetizador, chatíssima, mas que era modinha na década de 80, da fotografia pouco trabalhada (muita coisa ali me pareceu gratuita, como as muitas cenas em “plongée”, sem qualquer função narrativa) e, claro, os efeitos especiais, maquiagem e direção de arte tosquíssimos, pendendo para o “gore” e para a violência gráfica, a ponto do filme ter sido, por certo tempo, banido de sua terra natal, o Reino Unido, como exemplo de filme “nasty” (desagradável). Certo é que, mesmo fake, o filme impressiona, como na terrível cena do parto de Sam (sem mais spoilers). Como era de se esperar, o elenco também é o puro cristal dos filmes B – Philip Sayer tem a expressividade de uma samambaia, o que não é tão grave já que, no fundo, seu personagem não é mais humano e poderíamos aceitar sua inexpressividade como característica da criatura; Bernice Stegers interpreta Rachel, a ex-esposa de Sam, e tem um trabalho um pouco mais sólido que seu parceiro de cena (mas nada muito incrível); Danny Brainin interpreta Joe, o novo companheiro de Rachel, numa interpretação bem rasa; Maryam D’Abo interpreta Anelise e Simon Nash, o menino Tony – é, um elenco recheado de “quem?”. Não vou dizer que é um filme bom, mas eu também gosto de alguns filmes ruins e esse me agradou mesmo com toda a sua limitação, violência gratuita e cenas desagradavelmente asquerosas. Exige um público específico que goste dos gêneros ficção + terror.

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