• hikafigueiredo

"Estranhos em Casa", de Olivier Abbou, 2019

Filme do dia (14/2021) - "Estranhos em Casa", de Olivier Abbou, 2019 - Paul (Adama Niane) e Chloé (Stéphane Caillard) saem de férias na companhia de seu filho e deixam sua casa sob os cuidados da babá da criança e de seu marido. Quando retornam ao lar, descobrem que o casal apossou-se do imóvel, usando um documento assinado por Paul como comprovante de seu inquilinato. Inicia-se uma batalha judicial para ver quem ficará na casa, oportunidade em que Paul conhece Mickey (Paul Hamy), que passa a lhe dar estranhos conselhos.





Assisti a essa obra a pedido de meu amigo Davi (sim, eu também vejo filmes por encomenda... kkkkkkk) porque ele queria saber minha opinião sobre ela. Pois digo que esse é um filme que me deixou estarrecida - e não por bons motivos. A obra é uma ode escancarada à barbárie e é um reflexo de uma onda mundial de eclosão de gente ignorante, bruta e violenta. Em linhas gerais, a mensagem do filme é de que a justiça (e com ela, o Estado de Direito) não funciona e que violência deve ser respondida com violência - é o mesmo que decretar a falência da civilização e retornar à mais absoluta selvageria!!!! Pior é que o filme cai numa contradição absurda, pois, se analisarmos bem, é o mesmo que dizer que o grande vilão do filme - que defendia exatamente esta concepção - estava correto!!!! Mas, o pior de tudo, na obra, é seu desfecho. Mais do que machista e sexista, o desfecho é completamente equivocado, além de ser o ponto crucial que nos remete à tal mensagem absurda, pois, não fosse o final "apoteótico", o filme seria apenas mais um a discorrer sobre violência e instinto de sobrevivência. Alguém precisa avisar ao roteirista e ao diretor do filme que, não, as mulheres não acham sexy a violência, ainda que como resposta a uma ação anterior. Não existe correlação entre agir feito um brucutu e virilidade - mulheres não buscam, nos homens, a masculinidade ignorante e a força bruta!!!!! Uma coisa eu tenho certeza - os realizadores do filme podem entender de qualquer coisa, menos da natureza feminina!!!! Bom, continuando: o filme alega ser baseado em fatos reais - provavelmente tudo bem aumentado. A narrativa é linear, o ritmo é ágil e a atmosfera é de tensão constante. Acompanhamos, através da narrativa, ao gradual embrutecimento do personagem Paul, que, de homem pacato e sensível, vai se tornando um tremendo babaca, obtuso e violento como seus novos "amigos". Tecnicamente, é um filme padrãozão, nada a comentar. As interpretações são apenas corretas, sem muito a acrescentar - de quem mais gostei foi do trabalho de Paul Hamy como Mickey - o personagem era o próprio macho escroto imbecilizado, ignorante, frustrado e recalcado (que no íntimo deveria se sentir ultra ameaçado pelo sucesso de Paul, que tinha carreira, família e uma senhora mansão, enquanto o brucutuzinho não tinha nada disso) e Paul Hamy consegue transmitir exatamente essa ideia. O filme teria sido relativamente okay não fosse aquele final, Pelo final e pela mensagem que ele transmite, eu diria que ele é péssimo. Mas vejam... vejam a barbárie que se aproxima e continuem a dar palco para esse tipo de gente e eleger seus representantes óbvios. Vocês verão aonde iremos parar como sociedade.

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