“Eu Compreendo o seu Descontentamento”, de Kilian Armando Friedrich, 2026
Filme do dia (33/2026) – “Eu Compreendo o seu Descontentamento”, de Kilian Armando Friedrich, 2026 – Em Berlim, Heike (Sabine Thalou) comanda uma equipe de limpeza profissional, contratada para limpar canteiros de obra, escolas e empresas em geral. Sob pressão constante, Heike tenta administrar a falta de funcionários, as reclamações dos clientes e o avanço da concorrência.

O filme alemão traz um pequeno retrato do que é viver sob uma situação trabalhista precária, onde respeito só é exigido pelo lado mais forte – aquele que paga pelo serviço prestado –, enquanto, ao trabalhador, resta amargar a pressão constante, o risco da dispensa súbita e as exigências que podem ser razoáveis ou não. A protagonista Heike, gerente de uma equipe de limpeza profissional, passa seus dias – e noites - correndo atrás das mais diversas demandas, que vão da não qualificação dos funcionários às reclamações infinitas e pouco educadas dos contratantes. Dividindo-se em mil – e nem sempre agindo de acordo com a ética – Heike está claramente à beira de um burnout que afeta não apenas seu trabalho, mas, também, suas relações pessoais. O filme é o suco do pior que existe no ambiente de trabalho tóxico e pautado na informalidade e ausência de legislação trabalhista, exaurindo os profissionais e desgastando, inclusive, a relação entre os envolvidos, sejam trabalhadores parceiros, sejam contratantes e contratados. Diante da atual situação política do país, com o perigo de eventual desmanche da legislação trabalhista, o filme serve, no mínimo, como alerta do perigo que nos ronda. Apesar da importância e atualidade do tema, aviso que é um filme irritante, pois acompanhar o cotidiano de Heike é cansativo, fazendo com que o espectador fique quase tão esgotado quanto ela. O ritmo das cenas é frenético, não de uma forma divertida, mas opressivo. O som é agressivo – muita gritaria, um falatório histérico que me irritou em questão de minutos. A fotografia, escura e opaca, ajuda na construção de uma atmosfera sufocante, onde a pressão é o mote. A interpretação de Sabine Thalou, por sua vez, é bastante convincente, pois sentimos o cansaço físico e, principalmente, emocional da personagem, pois ela está visivelmente exaurida de suas funções. Apesar de ver muitos méritos na temática explorada, admito que saí incomodada e exausta do filme, até porque o diretor alonga, propositalmente, as cenas com o dia a dia da protagonista – tenho certeza de que o diretor atingiu o que pretendia. Tenho pudores em recomendar o filme por ser ele muito cansativo, deixo por conta e risco de quem ler isso aqui. Décimo oitavo filme visto na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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