“Quero Ser Como Você”, de Konstantin Bojanov, 2026
Filme do dia (30/2026) – “Quero Ser Como Você”, de Konstantin Bojanov, 2026 – Pavel (Barry Keoghan) é um adolescente de 16 anos, autista, que demonstra muito talento para a arte. Ele tem como fonte de admiração o pintor Arnaud (Kim Bodnia), em cuja arte se inspira para seus desenhos e pinturas. Decidido a aprender com o artista, Pavel parte para uma longa jornada em direção à casa de seu ídolo.

Misturando drama com “road movie”, o filme búlgaro acompanha a jornada do protagonista Pavel, um jovem no espectro autista que se mostra sensível e com talento para a pintura, em busca de seu sonho de aprender com o pintor Arnaud, de quem é fã incondicional. No decorrer de um longo caminho, Pavel conhecerá muitas pessoas e tentará estabelecer conexões emocionais com elas sem saber lidar muito bem com essas emoções. Por estar no espectro autista, Pavel tem dificuldade em compreender ações e reações das demais pessoas e em se comunicar com elas. A jornada de Pavel o leva a enfrentar suas limitações e descobrir-se enquanto pessoa e artista. A obra discorre sobre temas como inadequação, aprendizado, busca interior, sensibilidade e incomunicabilidade. O filme é hábil em retratar uma pessoa que, por estar no espectro autista, insere-se no mundo de uma maneira diferente das demais e, por tal fato, tem profunda dificuldade em compreender, na sua totalidade, as relações e reações humanas. Pavel é claramente uma pessoa inocente, ele não entende as más intenções alheias, e, tampouco, a crueldade do ser humano. Ele expressa-se através de sua arte e consegue transformar toda sua ingenuidade e sensibilidade em desenhos e pinturas. Há, em certa altura da obra, uma ironia muito grande quanto à questão da expressão artística, vou apenas pontuar para não dar spoiler, mas confesso que fiquei com raiva da arrogância do personagem Arnaud, tão tolo. Com bastante sensibilidade, o diretor Bojanov acompanha as descobertas e interações pessoais do protagonista, retratado sem condescendência. Destaque para o belo desenho de produção – algumas cenas parecem pinturas – e para uma fotografia sofisticada, que brinca com luzes e sombras, reforçando a estética pictórica. Destaque, claro, para a interpretação de Barry Keoghan, ator de quem sou absoluta fã, que interpreta um Pavel claramente desconfortável no mundo que o rodeia. O desfecho aberto pode não agradar a todos (a mim não incomodou). Mãe de uma garota autista que enfrenta dificuldades semelhantes às do protagonista quanto a se fazer entender e compreender os demais, fiquei bastante tocada com a história. Gostei e recomendo, ainda que não ache que seja para todos os gostos. Décimo quinto filme visto na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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