“Eu Vejo Edifícios Caírem Como Raios”, de Clio Barnard, 2026
Filme do dia (37/2026) – “Eu Vejo Edifícios Caírem Como Raios”, de Clio Barnard, 2026 – Em Birmingham, Inglaterra, cinco amigos de infância, agora na casa dos trinta anos, enfrentam o peso da rotina, dos desafios e das frustrações que a vida impõe.

Filme gostosinho sobre amizade, amadurecimento, enfrentamento de crises, pertencimento, acolhimento e perdão, a obra segue a mesma lógica de filmes como “O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas” (1985) e “Quatro Casamentos e Um Funeral” (1994) ao retratar o cotidiano e problemas enfrentados por cinco amigos de infância, agora adultos e com diversas contingências para resolver. A narrativa mostra os amigos já na casa dos trinta anos e como, no período de, aproximadamente, duas décadas, suas histórias pessoais se desenvolveram de maneiras tão díspares: Rian fez fortuna no mercado de ações e se mudou para um apartamento chique em Londres; Connor, engenheiro, aceita a tarefa de construir um condomínio, investimento encabeçado por Rian, enquanto aguarda o nascimento do primeiro filho; Patrick e Shiv, casados, têm duas filhas e Shiv é dona-de-casa, enquanto Patrick faz entregas por aplicativo; e Oli faz tráfico de drogas para se manter. As vivências dos personagens se entrelaçam e, independente do que cada um faça, a amizade se mantém. No entanto, os percalços da vida podem influenciar e estremecer tais laços fraternos. A história perpassa por questões universais da vida adulta: trabalho, família, relacionamentos amorosos, desafios da maternidade/paternidade, problemas financeiros, solidão; tudo é exposto de maneira muito orgânica e é impossível o espectador não se identificar com alguma das questões apresentadas. O tom inicial da narrativa é leve, tornando-se exponencialmente mais pesado à medida que a trama evolui. Os personagens são bem delimitados, alguns mais bem construídos que outros, mas todos despertam, de alguma forma, nossa empatia – são personagens humanos, falhos, reais. Eu gostei da ambientação da história – Birmingham e seus habitantes são retratados sem julgamentos morais, sem filtros positivos ou negativos; elas são o que são e ponto. No decorrer da história, fui me apegando aos personagens e quando o filme terminou tive um instante de tristeza, queria que tivesse mais filme rs. Obra que traz um calorzinho ao coração, eu gostei bastante e recomendo demais. Vigésimo segundo filme visto na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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