“Salão de Beleza”, de Nathalia Acevedo, 2026
Filme do dia (35/2026) – “Salão de Beleza”, de Nathalia Acevedo, 2026 – Em uma cidade sem nome e sob crise constante, um antigo e abandonado salão de beleza funciona como um porto seguro para doentes desenganados e marginalizados. Ali, um indivíduo também sem nome (Sam Louwick), cuida dos enfermos, enquanto pensa na vida, na morte e no espaço que há entre ambos.

Típico filme de mostra ou apresentação de obras de final de curso de faculdade de cinema, o filme é uma divagação sem fim acerca dos mistérios da vida e da morte. Metafórico, simbólico e, porque não dizer, hermético, a obra é um agregado de imagens pouco conexas acompanhado de um monólogo monotônico em uma narrativa em off do personagem principal. Não temos qualquer informação além daquilo que as imagens transmitem – não sabemos onde a história se passa e qual o motivo da agitação externa ao salão, praticamente a única locação onde a narrativa se desenvolve. Também não sabemos nada acerca daquele homem que tomou para si a missão de alimentar e acompanhar aqueles moribundos em seus últimos dias. A presença constante da água – seja de imagens do fundo do mar, seja da chuva que verte pelo telhado, inundando o salão – traz algum significado oculto, possivelmente remetendo à maleabilidade da vida e a certeza da morte, mas, vai saber, depende totalmente da leitura do espectador. Mesmo o texto não colabora muito pela compreensão – o filme tem uma interpretação absolutamente aberta, sinta-se à vontade para interpretar tudo aquilo ao seu bel-prazer. Algumas poucas cenas trazem a época áurea do salão, um local de encontro para os marginalizados ainda vivos, onde se arrumavam e se divertiam uns na companhia dos outros, fazendo uma alusão à memória e ao passado. Pela minha leitura, o filme é, ainda, uma longa elucubração sobre o tempo, a efemeridade da vida pessoal, a constância do ciclo da vida geral, a imprevisibilidade dos caminhos, da aleatoriedade das escolhas e a infalibilidade da morte. Sim, a obra se presume profundamente filosófica, mas eu só a achei pretenciosa mesmo. Por outro lado, não posso negar que não seja um filme sensorial – as imagens, somadas ao texto pausado e sem emoção, fazem aflorar sensações de angústia e um sentimento de reflexão. O ambiente fechado, escuro e desordenado mostrado na história, me causou uma clara claustrofobia, além de opressão. Há, também, algumas cenas de sexo que me trouxeram sentimentos não muito bons. Enfim, aviso que é uma obra que pesa, que traz sensações que não posso relacionar com coisas boas. Definitivamente não é para qualquer público, há que se gostar de filmes interpretativos e angustiantes. Recomendo somente para quem aprecia essa espécie de masturbação mental. Vigésimo filme visto na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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