• hikafigueiredo

"eXistenZ", de David Cronenberg, 1999

Filme do dia (271/2021) - "eXistenZ", de David Cronenberg, 1999 - Um grupo de pessoas participa de um evento relacionado a um novo videogame. Quando sua criadora, Allegra Geller (Jennifer Jason Leigh), prepara-se para passar as primeiras orientações, ela sofre um atentado. Ela precisará da ajuda de um desconhecido - Ted Pikul (Jude Law) - para proteger sua criação e sua vida.





Cronenberg não seria Cronenberg se ele não fizesse filmes estranhos criticando o poder e o alcance das novas tecnologias. Trazendo elementos de obras anteriores como "Videodrome" (1983), "A Mosca" (1986), "Mistérios e Paixões" (1991), e "Crash - Estranhos Prazeres" (1996), nessa ficção científica ele se volta para a realidade virtual, a capacidade da tecnologia absorver seu usuário até o limite da sanidade, a compulsão e a mudança da percepção do real advindas do uso da tecnologia, temas conexos com os das obras mencionadas. Mais do que tudo, há uma crítica nada sutil ao mau uso da tecnologia e seus resultados nefastos. Na história, os personagens entram numa realidade virtual e, aos poucos, perdem a noção do que é jogo e do que é real. Cronenberg diverte-se criando várias camadas de realidade - o espectador, experimentando a mesma confusão dos personagens, também se questiona acerca dos limites entre o real e o virtual. Lóóóógico que, além da temática, o diretor tinha de trazer outra característica corrente em suas obras para o filme: seu apego à esquisitice e às cenas repugnantes - serão imagens e mais imagens de seres mutantes, muita gosma, vísceras e sangue viscoso para o deleite (ou horror, depende) do espectador. Nesse quesito, destaque total para a cena do almoço no restaurante chinês. A narrativa é completamente não-linear, quase caótica, misturando os já mencionados diversos estratos de realidade. O ritmo é frenético, reproduzindo o de um videogame (dos anos 90, que fique claro). A atmosfera mistura viagem de ácido com pesadelo (rs), de forma que sobra tensão, ansiedade e angústia para todos os lados. Tecnicamente, o filme também se aproxima de outras produções do diretor. Os destaques ficam por conta da direção de arte e dos efeitos especiais - as imagens dos pequenos seres mutantes são incríveis, muitíssimo bem feitas; os consoles de matéria biológica causavam repulsa e curiosidade ao mesmo tempo e eu achei uma ideia brutal! No elenco, Jennifer Jason Leigh (outra que adora uma personagem controversa) interpreta a designer de games Allegra - eu sou bem suspeita de falar da atriz porque eu a acho demais e acho suas escolhas de personagens ultra ousadas, e Allegra não foge à regra; Jude Law interpreta o personagem Ted Pikul e seu trabalho é admirável, principalmente nas mudanças do personagem da realidade para o personagem do jogo que eles estão jogando; ainda temos gente do calibre de Willem Dafoe, Sarah Polley, Christopher Eccleston e Ian Holm - só fera!!!!! O filme me arrebatou do começo ao fim e eu o adorei!!! Recomendo com carinho!

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