• hikafigueiredo

"Face a Face" de Ingmar Bergman, 1976

Filme do dia (180/2015) - "Face a Face" de Ingmar Bergman, 1976 - A Dra. Jenny Isaksson (Liv Ullman) é uma conceituada psiquiatra que está substituindo o médico-chefe em um hospital psiquiátrico. Ela é casada, mas seu marido está viajando há meses, assim como sua filha adolescente. Sob extrema pressão, Jenny conhece Tomas (Erland Josephson), também médico, e começa a se envolver emocionalmente com ele, o que agrava um já avançado quadro de depressão.





Se me pedissem para descrever o filme em poucas palavras, eu diria que "Face a Face" é uma grande sessão de psicanálise transposta para a tela de cinema. O diretor mergulha fundo na alma da personagem que, sob aparente equilíbrio, calma e disposição, vive um inferno interior imbuído de culpa, mágoa, solidão e medo da morte - e todo esse universo de emoções negativas represado, pouco a pouco vem à tona e é exposto ao espectador. Bergman, mestre absoluto do que eu chamo "cinema sensorial", onde o público não apenas racionaliza o que assiste, mas sente de uma maneira intuitiva o que o diretor quis transmitir, transporta, aqui, o espectador para dentro do processo terapêutico da personagem de uma forma simplesmente sublime!!!! Vejo, em "Face a Face", um diálogo bem interessante com outra obra do diretor, "Persona", de 1966. O filme também me remeteu a outro que discute a questão da sanidade - "Repulsa ao Sexo", de Roman Polanski, onde a personagem, como Jenny, é assombrada por visões, sonhos e memórias. Bom, a história é riquíssima, daria uma bela tese de metrado em psicologia... rs. O roteiro desenvolve-se maestralmente, como um fio que lentamente se desenrola. Destaque para a direção de arte que abusa de tons suaves no ambiente e figurino mas imprime um vermelho sangue nas roupas de Jenny quando ela se vê nos seus delírios, e, também, na vestimenta de Tomas, quando ele está tratando de Jenny. Também merece destaque os planos fechados nos personagens, mostrando os rostos de cada um, em especial de Jenny. Quanto às interpretações, temos Liv Ullmann estraçalhando MESMO - ela passa, sem qualquer resquício de overacting, do riso histérico ao choro convulsivo, para, logo em seguida, recompor-se como a Jenny equilibrada e resolvida. Além disso, atua em grande parte do filme sem qualquer maquiagem, jogando-se de corpo e alma na crise da personagem. É quase assustadora a imagem dela hospitalizada com oxigênio no nariz, toda descabelada, realmente convence como uma pessoa em ruína física e emocional. Tanto é excepcional sua interpretação que a atriz foi indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro daquele ano ( e garanto que só não levou por conta de bairrismo norte-americano): DIVA ABSOLUTA!!!! Também Erland Josephson está ótimo em seu papel, retomando a dupla com Liv Ullmann de "Cenas de um Casamento", de 1973. Bom... o filme é maravilhoso, não tem o que tirar nem por. Recomendo com louvor para quem não faz questão de explosões e efeitos especiais e curte algo mais intimista.

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