“Faça Ela Voltar”, de Danny e Michael Philippou, 2025
- hikafigueiredo
- 24 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
Filme do dia (62/2025) – “Faça Ela Voltar”, de Danny e Michael Philippou, 2025 – Após a morte de seu pai, os meio-irmãos Andy (Billy Barratt) e Piper (Sora Wong) são levados para a casa de uma mãe adotiva, Laura (Sally Hawkins). No local, existe um outro menino, Oliver (Jonah Wren Phillips), que demonstra um comportamento estranho. Com o passar dos dias, Andy começa a desconfiar que algo ali não está certo e passa a temer pela segurança de sua irmã mais nova, Piper.

Dos mesmos diretores do ótimo “Fale Comigo” (2023), este talvez seja o melhor filme de terror que tenha visto esse ano, mesmo considerando obras excelentes como “Ninho do Mal” (2022), “Fresh” (2022), “Pecadores” (2025) e “A Hora do Mal” (2025). Uma característica que já podia ser vista no filme anterior e que aqui fica mais evidente é a presença de elementos dramáticos muito abundantes – em outras palavras, a obra extrapola o terror e abraça o gênero drama ao ponto de comover o espectador, muito embora não se afaste, inclusive, do terror sobrenatural. A história começa com dois meio-irmãos – Andy e Piper - que são adotados por uma mulher que mora em uma bela residência em um local afastado. Ao chegarem à casa, os irmãos descobrem que sua nova mãe perdera, há pouco tempo, uma filha com idade próxima à de Piper e que, como ela, também possuía uma deficiência visual. Ela também cuidava de um menino mudo, de nome Oliver, cujo comportamento estranho chamou a atenção de Andy, que, aos poucos, passa a desconfiar das intenções da mulher. Muito embora seja um filme de terror, a narrativa trata de amor incondicional, apego extremo, dificuldade em aceitar a perda, sofrimento emocional, maternidade, cuidado e afeto entre irmãos, abuso parental, culpa, dentre outros. Laura – que logo percebemos ser a “vilã” da história – é uma figura complexa, que não é intrinsicamente má, mas que se encontra em sofrimento e com a saúde mental fortemente abalada. Suas atitudes não são perversas por si só, em sua quase loucura Laura tem um anseio que precisa aplacar e ela não medirá esforços para tanto. A personagem, por mais que desperte muita raiva e indignação, também é capaz de sensibilizar o espectador que, em dado momento, cede completamente à compaixão por ela. Achei muito bom, também, como a narrativa desenvolve a relação entre os irmãos que, embora seja cheia de afeto, demonstra a existência de rusgas e mágoas entre eles. A narrativa é linear, com algumas cenas em flashback que ajudam a amarrar a história. O ritmo é marcado e crescente. A atmosfera é muito tensa e angustiante e há cenas que são realmente perturbadoras em infinitos aspectos – somos mergulhados em um verdadeiro pesadelo, inclusive emocional. Formalmente é um filme perfeito – do roteiro criativo ao desenho de produção instigante, tudo nos encaminha para sentir emoções as mais diversas, que vão do ódio à piedade. Uma das cenas finais, na piscina, chega a ser dolorosa de se ver (sem spoilers). O elenco, por sua vez, cumpre com excelência seu papel – encabeçados por Sally Hawkins, uma atriz fenomenal, que nunca errou na vida, e que interpreta magistralmente Laura, o elenco dá show. Billy Barratt está ótimo como Andy, um rapaz de 17 anos cheio de traumas e culpas, e que se mostra confuso diante das coisas que acontecem; Sora Wong nem parece ser sua primeira incursão como atriz, ela está muito bem como Piper. E impossível não destacar toda a estranheza de Jonah Wren Phillips como Oliver, responsável pelas cenas mais inquietantes do filme! O menino é assustador em muitas acepções, rs. Eu AMEI o filme, saí impactada dele, mas aviso que ele é muito perturbador. Atualmente no cinema.



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