• hikafigueiredo

"Ferrugem", de Aly Muritiba, 2018

Filme do dia (139/2020) - "Ferrugem", de Aly Muritiba, 2018 - Tati (Tifanny Dopke) é uma adolescente que, como tantas outras, posta sobre sua vida nas redes sociais. O vazamento de um vídeo íntimo seu terá terríveis consequências para a jovem.





A obra retrata um caso de cyber bullying e discorre sobre responsabilidade e consequência - somos responsáveis por qualquer conduta nossa e toda ação tem alguma consequência, sobre a qual também temos responsabilidades. Após o vazamento do vídeo da personagem, os acontecimentos viram uma bola de neve e transformam a vida de Tati num verdadeiro inferno. Na realidade, acho que, neste filme, pegaram até que leve com a personagem, ao contrário do que acontece na obra "Depois de Lúcia" (2012), filme que recomendo muitíssimo. Voltando a "Ferrugem", observei que as mulheres, na história, são todas solidárias, responsáveis e corretas, enquanto que todos - TODOS - os homens, independente da idade, são egoístas, irresponsáveis, machistas, misóginos e, acima de tudo, babacas. Por mais que eu concorde que, em sua grande parte, homens são, sim, machistas e podem ser babacas por isso, é evidente que não são todos que agiriam como no filme e, tampouco, as mulheres agem com essa sororidade toda. Não são poucas as mulheres machistas e inúmeras protegeriam suas "crias", seus homenzinhos irresponsáveis, ao invés de apoiar outra mulher que tivesse sido vítima de seus rebentos. Achei esse maniqueísmo forçado e foi a unica coisa que não me agradou no filme, que trata de temas interessantes e importantes. O roteiro é bem desenvolvido, dividido em duas partes, mas que se compõem bem. O tempo é linear e cronológico e tem um ritmo agradável. Tecnicamente, tudo okay, sem maiores destaques. Achei a interpretação de Tifanny Dopke bem consistente, a menina manda bem. Já Giovanni De Lorenzi alterna momentos melhores e piores, precisa fazer seu dever de casa para se tornar mais regular. Enrique Diaz não explica bem a que veio, o que é raro, já que é um ótimo ator. Clarissa Kiste, por sua vez, mostra um bom trabalho, em especial na cena do carro. Ainda que não seja fantástico, uma obra de outro mundo, foi um filme que me agradou e que prendeu minha atenção por toda a sua duração. Quero ver ainda "Para Minha Amada Morta" (2015), do mesmo diretor.

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