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“Fresh”, de Mimi Cave, 2022

  • hikafigueiredo
  • 9 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Filme do dia (54/2025) – “Fresh”, de Mimi Cave, 2022 – Noa (Daisy Edgar-Jones) é uma jovem cansada de buscar um companheiro em aplicativos e desiludida com as possibilidades de relacionamento. Após inúmeros encontros fracassados, ela conhece Steve (Sebastian Stan) em um supermercado e após alguns encontros, concorda em fazer uma viagem com ele. Grande erro, já que Steve revela apetite bastante... incomum.


 

Existem filmes de terror que são assustadores justamente por serem possíveis dentro da esfera da realidade. Esse círculo inclui filmes de serial killers diversos, mas que, muitas vezes, pelos excessos, acabam se afastando do verossímil. No entanto, há aqueles filmes que conseguem se manter nos limites do viável – e eu, particularmente, acho esses filmes muito aterradores. Insiro, nesse rol, obras como “O Albergue” (2005) e “Speak No Evil” (2022) e, agora, também, “Fresh”, que, ainda que tenha certo exagero, mantém-se dentro de uma margem de possibilidade. A história acompanha a personagem Noa, uma jovem que insiste em buscar um namorado em aplicativos de relacionamento. Frustrada pelos últimos encontros, Noa conhece, certo dia, de maneira bem casual, o cirurgião Steve, um homem extremamente charmoso e com um ótimo humor. Ela aceita sair com ele em um encontro romântico e se surpreende por ser uma saída perfeita. Encantada por Steve, Noa aceita o convite para uma viagem, mas a decisão se mostra muito errada, pois Steve, após drogar a bebida de Noa, a faz prisioneira, revelando uma face profundamente doentia. Pela sinopse, eu esperava algo que caísse para o “gore”, ou, ainda, para uma violência sexual gráfica, mas não é o caso de nenhuma dessas coisas. O que segue é uma história assustadoramente perturbadora, principalmente por envolver pessoas com realmente muito dinheiro, retomando a lógica de “O Albergue”. A narrativa, linear, engloba uma dose altíssima de sadismo com toques de humor ácido. A atmosfera é de apreensão crescente, uma verdadeira agonia. O desfecho, ainda que satisfatório, dá uma escorregada por “esquecer” um personagem, mas não chega a comprometer a obra como um todo. Apesar do roteiro ousado, a obra mostra-se convencional em sua forma, com destaque para o desenho de produção refinado e minucioso. Gostei bastante da escolha de elenco – há uma química visível entre Daisy Edgar-Jones e o sempre ótimo Sebastian Stan, o que ajuda a trazer veracidade para a narrativa. Também gostei bastante da interpretação de Jonica T. Gibbs como Mollie, melhor amiga de Noa. Eu acho que o filme traça um diálogo sutil com “Men – Faces do Medo” (2022), muito pela questão de gênero que ambos envolvem. Eu gostei muito do filme, ele me envolveu e eu “não pisquei” em momento algum. Recomendo, mas não para pessoas facilmente impressionáveis, pois o fato de não ser “gore” não significa que ele não traga assuntos de “difícil digestão” (ops... trocadilho involuntário). Disponível em streaming no Disney Channel.  

 
 
 

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