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“Frio nos Ossos”, de Matthias Hoene, 2023

  • hikafigueiredo
  • 16 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Filme do dia (58/2025) – “Frio nos Ossos”, de Matthias Hoene, 2023 – Após praticarem um crime, os irmãos Jack (Neil Linpow) e Matty (Harry Cadby) fogem e chegam a uma fazenda afastada, onde fazem uma família refém. Ocorre que a matriarca da família (Joely Richardson) fará qualquer coisa para defender sua família e os segredos que a fazenda esconde.

 


O que, inicialmente, parece ser só um thriller policial se revela, aos poucos, um filme sobre vingança com um pé bem forte no gênero terror. Começamos com uma família feliz e aparentemente harmônica – a mãe e esposa amorosa, sua jovem filha e o marido enfermo, no dia do aniversário do último. A casa fortemente protegida por trancas e cadeados não desperta estranheza, tendo em vista o local ermo e distante de tudo. Subitamente, batidas desesperadas na porta interrompem a comemoração familiar – um rapaz clama por ajuda ao seu irmão ferido, que jaz ao pé da porta de entrada. A mãe, a princípio, assustada, nega ajuda, mas o desespero sincero do jovem acaba por comovê-la e ela abre a porta. Ela ajuda o irmão gravemente ferido, oportunidade que descobrimos que ela é uma médica que abandonou tudo para viver na fazenda. Socorrer o homem logo se mostra um erro, pois, assim que se recupera, ele se revela um criminoso sem qualquer gratidão. No entanto, ameaçar a harmonia daquela família acaba sendo um erro ainda maior, pois a matriarca esconder segredos bem mais assustadores e demonstra disposição infinita para defender a família que construiu. Com um roteiro bem amarrado, a obra discorre sobre dor, mágoa, e, acima de tudo, vingança e, ainda que não tenha me surpreendido profundamente – logo nas primeiras cenas a gente percebe que algo ali está deslocado, existe claramente um mistério qualquer envolvendo o lugar e seus moradores -, admito que entrei no climão de suspense e fui envolvida pela narrativa. Okay, como quase todos os filmes de suspense/terror temos aqui e ali clichês dos gêneros, mas nada que impeça uma boa fruição da obra. A narrativa é linear, em ritmo moderado a intenso e crescente. A atmosfera inicial é de leve tensão, a qual aumenta vertiginosamente à medida que nos aproximamos do desfecho, aproveitando a sensação de claustrofobia que a casa toda fechada impõe. Existe, na narrativa, um tanto de terror fundado especialmente na crueldade da protagonista – a matriarca é mais do que vingativa... ela é má, sádica até. Gostei do desenho de produção – a casa trancafiada parece um labirinto, dá agonia. A fotografia colorida, bem contrastada, aproveita as tomadas noturnas para ajudar na formação de atmosfera. No elenco, destaque para Joely Richardson como a mãe maluca de dar nó – ela consegue impor tal frieza no olhar que congelaria até um pinguim; gostei do trabalho de Harry Cadby como o jovem Matty – ele convence como um rapaz psicologicamente traumatizado e possivelmente neurodivergente; Neil Linpow interpreta Jack, o personagem com mais nuances e menos clichê – ainda que seja um criminoso, ele tem mais humanidade que os demais personagens; Achei Sadie Soverall a mais fraquinha da trupe, mas não chega a ser um problema para a narrativa. No elenco, ainda, Cameron Jack, Clifford Samuel e Roger Ajogbe. Eu sinceramente gostei do thriller, ele me envolveu e não me distraí da história momento algum. Curti e recomendo. Segundo o Justwatch, disponível em streaming no HBO Max.

 
 
 

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