• hikafigueiredo

"Gato Preto", de Lucio Fulci, 1981

Filme do dia (86/2022) - "Gato Preto", de Lucio Fulci, 1981 - Estranhas mortes começam a acontecer em um pequeno vilarejo inglês, motivo pelo qual um inspetor da Scotland Yard é enviado ao local para investigar o caso.





Numa inspiração livre do conto homônimo de Edgar Allan Poe, o filme traz a história do gato assassino e de seu tutor ensandecido, tudo pelas mãos do chamado "Mestre do Gore", Lucio Fulci. Apesar do título do diretor, ele até se conteve nesta obra, criando um filme muito mais de terror psicológico do que de violência gráfica e cenas explícitas - saem as mutilações, eviscerações e sangue cenográfico e entram a atmosfera pesada e o sugestionamento. Ainda que a história se passe num suposto vilarejo inglês, o filme é inteiramente falado em italiano, salientando as raízes do diretor. Admito que não sou grande fã do estilo e das obras de Fulci - não apenas não gosto de "gore", mas, tampouco , curto seu terror psicológico, que, para mim, carece de sutileza. Assim, achei o filme meio "grosseiro", "tosco", na falta de definição melhor, algo bastante distante da delicadeza do autor norte-americano. Aliás, do que me lembro do conto, pouco resta além do nome e de um leve eco. A narrativa é linear, num ritmo moroso, mas que ganha vigor mais próximo ao fim. O roteiro, assinado por Fulci e Biagio Proietti, esvazia o significado da figura do gato - no conto, uma representação da culpa -, aqui transformada em mero agente do mal. Some-se à falta de sutileza a certeza do desserviço que a história comete contra os pobres gatos pretos, já tão vítima da crueldade humana por conta da ignorância e superstição das pessoas (eu, que já tive cinco exemplares de felinos negros, os tenho em alta conta). Claro que, sendo filme de Fulci, teria de haver nudez feminina sem necessidade, mera objetificação da mulher. A fotografia da obra é marcada por uma câmera na mão bastante subjetiva, que diversas vezes assume o ponto de vista do gato. Inúmeros, ainda, são os planos detalhes dos olhos - tanto do gato, quanto dos personagens humanos. A trilha musical, marcada por um tecladinho chato, nos remete diretamente aos anos 80. O elenco traz Patrick Magee como o Professor Miles - na minha opinião, a melhor interpretação do elenco, bastante fraco; David Warbeck interpreta o Inspetor Gorley, Dagmar Lassander faz a fotógrafa Lillian Grayson e Al Cliver, o sargento Wilson - enfim, apenas nomes desconhecidos, em interpretações pouco inspiradas. Nem precisa dizer que não gostei do filme, que em nada lembra a obra de Edgar Allan Poe. Gato preto, por gato preto, prefiro o filme homônimo de Kaneto Shindô, de 1968, este sim um filmão (sem qualquer relação com o conto de Poe, fique claro). Achei fraquíssimo e não recomendo.

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