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  • hikafigueiredo

“Imaculada”, de Michael Mohan, 2024

Atualizado: 9 de jun.

Filme do dia (53/2024) – “Imaculada”, de Michael Mohan, 2024 – Cecília (Sydney Sweeney) é uma jovem noviça que viaja dos EUA para a Itália para se ordenar freira. A convite do padre Sal Tedeschi (Álvaro Morte), ela se desloca para um pequeno convento isolado em uma área rural do país. No local, Cecilia se surpreende com uma gravidez misteriosa, já que jamais estivera com homem algum. Afirmando tratar-se de uma gravidez milagrosa, as freiras passam a adorá-la como abençoada por Deus, mas Cecilia passa a desconfiar de que algo mais exista por trás de sua condição.





Sim, eu sou aficionada por filmes de terror. Ocorre que as chances de ver filmes ruins, por vezes péssimos, aumenta exponencialmente quando você gosta do gênero. Mas sou teimosa e o prazer de encontrar um bom filme de terror me impulsiona a assistir tudo que me caia à frente. Muito animada fui ao cinema para ver essa obra e qual não foi a minha surpresa quando, no decorrer da história, fui percebendo coincidências excessivas com outro filme visto muito recentemente, “A Última Profecia” (2024). Diria que uns dois terços do desenvolvimento da história seguem a mesma linha narrativa do filme mencionado. Mas a insatisfação não para por aí. Ainda que a obra force situações que sugiram uma origem sobrenatural para o que acontece com Cecilia, logo percebemos que não há nada de transcendente na sua condição, frustrando bastante as minhas expectativas. Outra coisa que me desagradou – para criar “climão”, inseriram várias cenas desconfortáveis, as quais, no final da obra, ficaram completamente sem explicação (um exemplo, as freiras “sem face”, que estão lá só para criar uma atmosfera de terror, mas não tem qualquer sentido ou motivo para existirem!). E não só isso – que mania de colocar gente iluminando o ambiente com velas numa época em que existe luz elétrica e lanterna!!! É muito primário e incompetente querer forçar uma atmosfera sombria com elementos deslocados, completamente anacrônicos, como as velas recorrentes!!!! Por fim, existe uma lógica temporal ali que não resiste a uma análise matemática mínima - simplesmente as idades dos personagens não comportam alguns acontecimentos relatados e olha que eu sou ruim de cálculo. Enfim, há muito coisa que precisava melhorar para o filme ficar “redondo”. Maaaaas, claro que (quase) sempre há pontos positivos. Aqui, eu destacaria uma relação interessante entre o sagrado e o profano, que, ao contrário de se contraporem, aproximam-se, mesclando-se de uma maneira bem peculiar.  Destacaria, também, a interpretação da atriz Sydney Sweeney como a protagonista Cecília – a moça deu sangue no papel, viu, ela consegue transmitir vários sentimentos contraditórios, muitas dúvidas, medos, dores, na sua interpretação. Eu diria que ela é o que o filme tem de melhor. Mas eu destacaria, ainda, a cena final da obra: quando o roteiro assume a verdadeira natureza dos acontecimentos e abandona aquela tentativa vã de parecer o que não é – no caso, algo sobrenatural e sem explicação -, o filme melhora consideravelmente e traz a melhor sequência da obra. Diria mais: o último plano, praticamente salva o filme, ele desperta sentimentos de horror que não surgiram ao longo de quase duas horas de história! No cômputo geral, minha experiência foi bem abalada pela comparação com o filme “A Última Profecia”, que eu vi antes e achei péssimo – talvez se não tivesse visto o filme, minha recepção fosse melhor. Acho que o filme tem alguns elementos interessantes, mas tudo muito perdido. A chance de desagradar o público é grande. Não vou recomendar não, tem filme melhor por aí.

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