• hikafigueiredo

"Judas e o Messias Negro", de Shaka King, 2021

Filme do dia (174/2021) - "Judas e o Messias Negro", de Shaka King, 2021 - EUA, 1969. O líder do Movimento Negro Panteras Negras em Chicago, Fred Hampton (Daniel Kaluuya), chama a atenção do FBI, que começa a monitorá-lo através do informante William "Bill" O'Neal (Lakeith Stanfield).




Apresentando a história real do ativista negro Fred Hampton, a obra é daquelas que dão nó na garganta pelas injustiças e pelo jogo sujo das autoridades norte-americanas, denunciados ao longo da narrativa. Percebendo o potencial que Hampton tinha de arregimentar, unir e liderar a população negra norte-americana em direção a um movimento revolucionário que visasse, a um só tempo, os direitos civis dos negros e, ainda, uma orientação de esquerda que debelasse o sistema capitalista vigente nos EUA, o FBI encontra um informante - na realidade, um reles ladrão de carros, sem qualquer consciência política e nenhum pudor, que foi, propositalmente infiltrado no Movimento Panteras Negras - para monitorar os passos e planos do jovem líder. A narrativa acompanha alguns meses do Movimento e das ações políticas de Hampton até a noite de seu fim trágico (isso não é spoiler, é História!!!!) pela polícia de Chicago, com a ajuda do traidor Bill. O filme é importante por muitas questões: pela representatividade da população negra no cinema; pela recuperação histórica de um líder negro; pela exposição e denúncia dos métodos antiéticos e, muitas vezes, ilegais das agências norte-americanas, no caso, o FBI; e pelo evidente testemunho do racismo do governo dos EUA. Além disso tudo, o filme é muito bom, com, para mim, um único porém - eu tiraria bem uns vinte minutos lá do meio da obra, momento em que a história dá uma rateada e que me gerou um sono louco, que desapareceu assim que a narrativa voltou a evoluir. O ritmo da obra é bem marcado (com exceção desse meio de história onde o ritmo segue em velocidade cruzeiro e que me deu sono) e a atmosfera é de tragédia iminente, angústia moderada e revolta profunda. Coroando a narrativa, duas interpretações poderosas e impecáveis: Daniel Kaluuya no papel de Fred Hampton, um personagem forte, admirado por muitos, e temido pelas autoridades; e Lakeith Stanfield como o desprezível Billy, cuja imagem foi muitíssimo bem associada a Judas. No elenco, ainda, Dominique Fishback como Deborah e Jesse Plemons como o odioso agente do FBI Roy Mitchell. O filme foi indicado a diversos prêmios, dentre os quais o Oscar em várias categorias, o Globo de Ouro, o BAFTA e o Critics' Choice Awards, com destaque para o trabalho de Daniel Kaluuya. Ótima obra, importante e necessária. Recomendo.

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