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"Lili Marlene", de Rainer Werner Fassbinder, 1981

Filme do dia (268/2020) - "Lili Marlene", de Rainer Werner Fassbinder, 1981 - Às vésperas da Segunda Guerra, Willie (Hanna Schygulla) é uma cantora alemã radicada na Suíça que tem um romance com um músico judeu, Robert (Giancarlo Giannini). Após uma viagem ao seu país natal, Willie é impedida de voltar à Suíça, permanecendo em solo alemão, onde ela se tornará uma estrela.





Inspirado livremente na vida da cantora alemã Lale Andersen, o filme discorre sobre a carreira e o romance entre a cantora e o artista judeu Robert (na vida real, um músico chamado Rolf Liebermann). Na obra, Robert estava envolvido com uma organização que retirava, com passaportes falsificados, judeus da Alemanha e dos países ocupados e Willie acaba ajudando-o em algumas missões, ao mesmo tempo em que é alçada à fama e ganha entrada privilegiada nos altos círculos da sociedade alemã tomada pelo nazismo, o que terá forte influência no destino da cantora. Ainda que o filme mostre poucas cenas de batalha, a história discorre sobre a guerra e seus efeitos sobre as pessoas. A narrativa flui com suavidade, em tempo linear e ritmo agradável. A atmosfera começa leve, mas torna-se tensa, à medida em que Willie começa a despertar suspeitas entre o alto escalão do estado militarizado, e torna-se quase sufocante quando Robert é preso e o cerco se fecha em torno da cantora (sem mais spoilers). A fotografia do filme tem um colorido esmaecido, melancólico. A direção de arte de época é perfeita, com destaque para os figurinos de Willie. A trilha sonora é. logicamente, encabeçada pela música "Lili Marleen", que toda à exaustão ao longo da obra (e, para ajudar, gruda na nossa 'radiohead' como carrapato - prepare-se para cantarolar a música por uns pares de dias). No elenco, a fantástica Hanna Schygulla, uma atriz por demais versátil e talentosa (e que eu, assumidamente, adoro), que interpreta uma Willie apaixonada e fiel aos seus princípios. Giancarlo Giannini, coitado, é devorado pela interpretação de Schygulla, e nem de longe consegue fazer um Robert com o mesmo apelo da protagonista. Mel Ferrer interpreta o pai de Robert, um poderoso homem de negócios em Zurique, fortemente envolvido com a fuga de judeus da Alemanha e países conquistados. O filme, ainda que não alcance o nível de outras obras do diretor, como "As Lágrimas Amargas de Petra von Kant" (1972), "O Casamento de Maria Braun" (1978) ou "O Desespero de Veronika Voss" (1982), é de alta qualidade, muito bem realizado e extremamente agradável de se assistir. Tratando-se de uma revisita, gostei mais do que da primeira vez em que assisti. Recomendado.

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