• hikafigueiredo

"Looper - Assassinos do Futuro", Rian Johson, 2012

Filme do dia (104/2022) - "Looper - Assassinos do Futuro", Rian Johson, 2012 - Ano de 2074. As viagens no tempo passam a ser uma realidade, mas estão disponíveis apenas no mercado negro, sendo usufruídas por criminosos no submundo. Como livrar-se de corpos se torna uma tarefa bastante complexa, os criminosos usam as viagens no tempo para enviar seus desafetos para o passado, onde são sumariamente executados pelos "loopers", assassinos destacados para fazer o serviço sujo dos criminosos do futuro. Quando o "looper" Joe (Joseph Gordon-Levitt) é indicado para uma execução e descobre que seu alvo é si próprio trinta anos no futuro, ele entra em uma mortal perseguição a si mesmo.





Misturando thriller de ação com ficção científica, a obra tem até um argumento criativo e uma levada envolvente. No entanto, o desenvolvimento do roteiro acaba entrando por caminhos tão tortuosos que não resiste nem mesmo a uma análise superficial. O grande problema é que a história peca - e muito - pela lógica, criando contradições completamente intransponíveis e deixando buracos do tamanho do vão do MASP pelo caminho. Especificar as proporções destes buracos é impossível sem cair em spoilers imperdoáveis, mas começa pela própria perseguição de Joe do futuro pelo Joe do passado - creia, isso é só a ponta do iceberg, o negócio é bem mais complicado. Algumas coisas se salvam - gostei da imagem do futuro distópico, onde resquícios do passado misturam-se com modernidades, numa pegada que nos remete a "Brazil, o Filme" (1985), "Blade Runner - Caçador de Andróides" (1982) e até mesmo "Delicatessen" (1991), claro que guardadas as devidas proporções. Também achei interessante a referência constante aos relógios, nos moldes de "Matar ou Morrer" (1952). O ritmo alucinado é igualmente um mérito da obra, assim como os muito bons efeitos especiais e edição de som. E, acima de tudo, o elenco cheio de nomes estrelados e talentosos, até mesmo em papeis menores, como o excepcional Paul Dano como Seth e Jeff Daniels como Abe; Bruce Willis interpreta o Joe "coroa" e, temos de concordar, não faz nada mais que o de sempre; confesso que Bruce Willis é um dos poucos atores de filme de ação que me conquistam: mesmo fazendo sempre o mesmo papel, ainda assim eu gosto dele; Emily Blunt interpreta Sarah, e, boa atriz que é, está bem no papel; mas quem se destaca é Joseph Gordon-Levitt como o Joe jovem: sua interpretação é intensa e envolvente e acaba por conquistar o espectador. Por outro lado, não sei exatamente o que foi feito com as feições do ator, porque ele parece realmente um Bruce Willis jovem e não ele próprio (tanto que eu demorei alguns segundos para reconhecê-lo e fiquei meio espantada com sua aparência). O ponto negativo - grande, enorme - é o desenvolvimento do roteiro que se perde por completo e entra num caminho sem volta, como um "looping" de equívocos que desemboca até em questões morais (sem spoilers). Enfim, pode até ser diversão garantida para quem não se preocupa muito com a lógica da narrativa e quer mesmo é explosões, tiros e perseguições sobrepostas, bem como muitos efeitos especiais. Infelizmente, não é o meu caso, que me incomodo com os furos de roteiro. Não é totalmente descartável, mas podia ser bem melhor. Só recomendo para quem curte muito filmes de ação.

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