• hikafigueiredo

"Loucas de Alegria", de Paolo Virzi, 2016

Filme do dia (281/2020)- "Loucas de Alegria", de Paolo Virzi, 2016 - Beatrice (Valeria Bruni Tedeschi) é uma paciente de um hospital psiquiátrico com distúrbio de personalidade que fica amiga de Donatella (Micaela Ramazzotti), uma depressiva recém chegada ao local. Consideradas socialmente perigosas, elas acabam fugindo juntas do hospital e ganham as ruas.





Antes de mais nada, o filme foi erroneamente "vendido" como uma comédia, mas, na realidade é um drama leve acerca das condições psiquiátricas das personagens e seus dramas pessoais. Assisti com atenção, uma vez que é um assunto que me interessa dada a minha própria condição psiquiátrica (como já disse algumas vezes, fui diagnosticada bipolar há alguns anos) e, na verdade, não posso dizer que gostei do filme. Achei as personagens mal construídas, em especial Beatrice, cujo distúrbio exato eu não consegui identificar. Tudo é muito superficial e não se explora nem o potencial para o drama e nem eventual deixa para a comédia. No final das contas, as condições psiquiátricas das personagens são apenas um "plus" para uma história comum acerca de dramas pessoais completamente independentes de seus distúrbios. Além disso, há passagens absolutamente inverossímeis como a localização, pela internet, de uma determinada família que passara por um processo de adoção, sendo que em qualquer lugar do planeta, as adoções de crianças correm em segredo de Justiça e essa informação jamais estaria disponível na internet para qualquer pessoa. A narrativa é linear e a linguagem utilizada é completamente convencional - outro ponto que poderia ter sido melhor explorado. O ritmo é moderado e constante. Não vi nenhum detalhe técnico que merecesse destaque, nem positivo, nem negativo. Valeria Bruni Tedeschi interpretou Beatrice com empenho, mas não me identifiquei minimamente com a acelerada personagem (lembrando que, como bipolar, já tive episódios de mania e, ainda que eufórica, nunca fiquei verborrágica como Beatrice). Micaela Ramazzoti como a depressiva Donatella não conseguiu transmitir o peso de sua angústia e depressão. Algo que me incomodou na obra foi justamente não ter conseguido "me ver" em nenhuma das personagens , mesmo tendo ambos os extremos de humor, a mania e a depressão. Também "não senti" o filme, eu o assisti completamente como espectadora e não me vi, por um momento sequer, "dentro" da história ou das personagens. Em suma, é um filme que não alcança a real condição psiquiátrica, ele é todo "visto de fora". Não chega a ser odioso, mas é um filme fraco e, por isso, não o recomendo.

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