• hikafigueiredo

"Louvado Seja", de C. Jay Cox, 2003

Filme do dia (342/2020) - "Louvado Seja", de C. Jay Cox, 2003 - Christian (Wes Ramsey) é um rapaz gay que leva uma vida agitada, acumulando conquistas sexuais e amantes de um só noite. Aaron (Steve Sandvoss) é um missionário mórmon, enviado a Los Angeles para completar seu treinamento religioso. Os dois rapazes tornam-se vizinhos, colocando em contato dois mundos antagônicos, o que transformará ambos os jovens.





Se tem algo que eu gosto são filmes sobre romances gays, sempre muito mais interessantes que as histórias água-com-açúcar que marcam os romances hétero. Nessa obra, além da tradicional crise resultante da "saída do armário", temos a questão religiosa trazendo aquela boa e velha culpa judaico-cristã e a promessa de inferno futuro que só o povo "família de bem" consegue engendrar para atormentar quem apenas quer ser feliz. Se Christian está mais que confortável com sua orientação sexual. Aaron guarda a sete chaves seu interesse por "meninos". Por outro lado, Aaron traz em si uma profundidade que Christian nem sonha existir do alto de sua futilidade e em meio a relacionamentos vazios e superficiais. O choque entre duas realidades opostas trará dramas - mas também benefícios - para os dois rapazes. A narrativa é linear e leve, flui com facilidade, muito embora existam alguns "buracos" na história que, felizmente, não chegam a estragar a obra. O formato é bastante convencional e a atmosfera é agradável com alguns momentos mais tensos, mas nada que transforme o romance em um drama propriamente dito. Não espere grandes questões filosóficas e, tampouco, discussões profundas sobre a homossexualidade, religião ou o que quer que seja - o filme não se propõe a ser um caminho ao questionamento ou problematização, ele é tão somente um entretenimento de temática gay. A obra apoia-se muito nas imagens antagônicas dos dois personagens principais, os quais precisam achar denominadores comuns para poderem se entender. Os atores que dão vida a esses dois personagens - Steve Sandvoss e Wes Ramsey, ambos fisicamente lindos de cair o queixo - fazem um bom trabalho e conseguem convencer no papel do contido e circunspecto religioso e do "rei da pegação", respectivamente. Não entendi bem a necessidade de alguns personagens secundários, que pouco ou nada acrescentaram à obra. Também não entendi a presença de nomes conhecidos em papéis secundários - Jaqueline Bisset e Joseph Gordon-Levitt, ambos profissionais reconhecidos, fazendo personagens que sequer exigiam muito. O filme é bonitinho, do tipo que nos deixa alegrinhos, mas que não resiste muito a uma análise criteriosa sem que os defeitos saltem aos olhos. Ainda assim, é um entretenimento agradável, gostosinho, do qual não me arrependi. Recomendo para quem gosta da temática.

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