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  • hikafigueiredo

“Macabro”, de Lamberto Bava, 1980

Filme do dia (101/2023) – “Macabro”, de Lamberto Bava, 1980 – Jane Baker (Bernice Stegers) é uma mulher casada que tem um caso amoroso com Fred (Roberto Posse). Ela tem encontros furtivos com o amante em um apartamento que aluga no imóvel da Sra. Duval (Elisa Kadigia Bove) e de seu filho Robert (Stanko Molnar). Um dia, Jane recebe uma terrível notícia acerca de seu filho e sai desesperada na companhia de seu amante. Acontece um acidente e Fred morre, acabando com a sanidade mental de Jane.





Nossa... que filme esquisito! Ele tem elementos de terror, mas ele passa muito mais tempo no terreno do suspense do que exatamente no terror. O nome é perfeito, porque realmente é um filme MUITO macabro. É difícil falar da obra sem dar spoilers, mas posso adiantar que tudo se desenvolve em torno da insanidade da família Baker – sim, não basta ter uma pessoa “fora da casinha” na família... E acho que é nesse detalhe que se encontra o elemento que menos me agradou na obra – achei muito psicopata para pouca narrativa. O filme também me pareceu muito raso, no sentido de não propiciar leituras diferentes, não ter espessura, tudo “é o que é”, simplesmente. E o elemento surpresa, ao menos para mim, não funcionou – desde o primeiro minuto eu já imaginava qual era o segredo que Jane escondia de todos. Mas o filme é tão esquisitinho que, mesmo com todos os poréns elencados, segurou minha atenção até a esdrúxula cena final – porque não tem outra definição melhor para o encerramento da narrativa. A narrativa é linear, em tempo de lento a moderado, com exceção da cena final, que ganha ritmo. A atmosfera é de contínuo desconforto, acho que muito pela vulnerabilidade do personagem Robert – na minha opinião, o único personagem crível e minimamente “humano” do filme. Também senti muita claustrofobia nas ambientações, em especial no imóvel de Robert, todo entulhado de coisas. A trilha musical me incomodou demais – a todo momento mudava o instrumento musical que conduzia a música, passando de um saxofone (ou seria um trompete? Não sei dizer) choroso e cafona, que emulava uma pretensa música sensual, para um violino histérico, ou uma gaita chatinha, ou mesmo tambores ousados – afe, que trilha musical mais cacete!!! As interpretações não foram das mais refinadas, mas tiveram alguns bons momentos... Bernice Stegers convence como uma mulher nos limites da sanidade. Ela não exagera nas caras e bocas e tem um olhar bastante desequilibrado. Veronica Zinny parece um demônio como Lucy e bem passaria por uma sociopatinha mirim. Stanko Molnar interpretou o único personagem que me instigou empatia – o pobre Robert, cego, frágil, tímido, eu fiquei tocada com o personagem, muito bem interpretado pelo ator. O desfecho é tão inesperado e sem explicação que fechou, com chave de ouro, esse filme esquisito. Não posso dizer que eu o adorei, mas admito que ele tem algo de envolvente que me faria revê-lo. Instigante. Recomendo com cuidado.

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