• hikafigueiredo

"Madame", de Amanda Sthers, 2017

Filme do dia (105/2018) - "Madame", de Amanda Sthers, 2017 - Anne (Toni Collette) e Bob Fredericks (Harvey Keitel) são dois ricaços à beira do colapso financeiro. Na intenção de captar um comprador para um quadro famoso, Anne resolve promover um jantar em sua mansão em Paris. A chegada de seu enteado, no entanto, faz com que tenham treze pessoas à mesa. Supersticiosa, Anne convence Maria (Rossy de Palma), a governanta, a se passar por uma convidada. Ocorre que um dos participantes do jantar encanta-se com Maria, o que acarretará sérias consequências.





O filme inicia como uma comédia que, rapidamente, envereda para a comédia romântica. Não se iluda, no entanto. Ao contrário das comédias românticas tradicionais, o desfecho é bem diferente do que seria o esperado. Além disso, raramente o gênero admite alguma crítica embutida - e crítica é o que não falta nessa obra. O filme retrata, com evidente ironia, a elite, em especial aquela elite composta de milionários cheios de posses materiais e completamente esvaziados de conteúdo intelectual e, ainda mais, de humanidade. Anne é o estereótipo da "gente de bem" - hipócrita, egoísta, invejosa, materialista, rancorosa, fútil e, claro, ignorante. Sua aparência e sua atitude são mais falsas que nota de três reais e sua especialidade é dizer mentiras para adular seus "iguais". Quando seu convidado milionário se apaixona por Maria, Anne não aceita e todo seu ódio de classe vem à tona. E é justamente a sinceridade e espontaneidade da criada que encantam o ricaço que, contudo, não sabe a verdadeira profissão de Maria. O retrato da elite em comparação aos mortais comuns não podia ser mais pontual - pensa numa gente horrível... A diretora, ainda, retrata a classe artística, aqui representada pelo filho de Bob, Steven (Tom Hughes), um escritor que consegue ter livre trânsito entre as duas classes sociais (elite e "povo"),a demonstrar a capacidade de diálogo e o olhar crítico advindos dos artistas. A parte técnica do filme é padrão, sem maiores destaques. Divertida a trilha sonora que incluiu "Ragatanga" (!!!). O trio de atores principais é ótimo e leva o filme por si só, mas acho que Toni Collette se sobressai como a insuportável e mau caráter Anne. O filme é beeeem legal e achei o desfecho - inesperado para uma comédia

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