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“Maturidade”, de Jean-Benoît Ugeux, 2025

  • hikafigueiredo
  • 22 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Filme do dia (97/2025) – “Maturidade”, de Jean-Benoît Ugeux, 2025 – Ludovic (Jean-Benoît Ugeux) é um arquiteto renomado que começa um relacionamento com Nathalie (Ruth Becquart), mãe de duas garotas. Quando Nathalie precisa viajar, Ludovic fica responsável pelas meninas e, rapidamente, se apega a elas. Na volta, Nathalie rompe com Ludovic e ele se dá conta da perda.


 

Eu diria que este é um filme belga para um público belga, ou, ao menos, europeu não latino. Isso porque senti uma verdadeira incapacidade de compreender as questões que se colocavam por motivos culturais. Na história, Ludovic é um arquiteto bem-sucedido e renomado, que inicia um romance com Nathalie. Ludovic é um indivíduo falador, brincalhão e que leva a vida com leveza. Okay, talvez o protagonista seja, por vezes, meio chato por conta de seu excesso de extroversão, mas, para nós, brasileiros, ele não seria alguém considerado ponto fora da curva. Ocorre que eu percebi que, para a cultura belga, Ludovic seria quase uma aberração por ser muito extrovertido e comunicativo. E toda a história está pautada sobre essa questão de uma conduta considerada imatura e inadequada para aqueles padrões. Em outras palavras, faltaria sobriedade ao personagem e isto, aos olhos dos belgas, seria um claro caso de imaturidade. O resultado é que eu não consegui captar muito bem as nuances da obra e do protagonista. Mas, o filme me fez constatar que o que no Brasil consideramos educação e gentileza inexiste naquela cultura – Ludovic, por três ou quatro vezes, presenteia diferentes pessoas com objetos especiais e potencialmente caros e as reações foram, na minha modesta opinião, de uma falta de educação sem precedentes, o que incluem frases como “eu não quero isso” e gritos de raiva. Enfim, existe uma leitura diferente por eu ser latina e ter uma cultura bem diversa àquela, onde, aparentemente, amargura faz parte do cardápio e qualquer expressão de intimidade e carinho é visto como invasivo e impertinente. Eu sei que a imagem que o filme me deixou do povo belga não foi positiva, todo mundo ali me pareceu mal-humorado, grosseiro, ríspido e frio e, no que dependesse da obra, o turismo para a Bélgica deixaria de existir! A narrativa é linear, em ritmo moderado. A atmosfera geral é de mal-estar e inadequação. Existe uma frieza e distanciamento entre as pessoas que eu não consegui compreender, está além da minha natureza. O protagonista Ludovic é interpretado pelo próprio diretor Jean-Benoît Ugeux e o personagem me despertou certa piedade. Nathalie é interpretada por Ruth Becquart e Matthieu, o melhor amigo e sócio do protagonista, é vivenciado por Laurent Capelluto. Para mim é um filme um pouco incompreensível por diferenças de leitura e entendimento. Décimo segundo filme visto na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 
 
 

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