• hikafigueiredo

"Michael", de Carl Th. Dreyer, 1924

Filme do dia (148/2019) - "Michael", de Carl Th. Dreyer, 1924 - Claude Zoret (Benjamin Christensen) é um renomado pintor. Seu braço direito e protegido é o jovem Michael (Walter Slezak). A chegada da condessa Zamikov (Nora Gregor) irá abalar a relação entre o pintor e seu amado.





Pára tudo!!!! Apesar do personagem Zoret chamar Michael de "seu filho adotivo" - o que chega a ser até engraçado, pois a natureza da relação entre ambos está mais que evidente que não é a de pai e filho - temos, aqui, já em 1924, há quase cem anos, a representação de uma relação gay!!!! Gente, que lindo, que filme expressivo, que maneira delicadíssima de mostrar o amor homossexual!!! Tudo bem que não é exatamente uma relação honesta e leal - muito pelo contrário -, mas acho incrível que já naquele tempo havia espaço para que os gays se colocassem em pauta e tivessem alguma voz, ainda que discreta. A obra é incrível!!! Okay que o filme demora um pouco para engrenar - a primeira meia hora é um pouco arrastada, as emoções parecem muito contidas, mas, daí em diante, o filme cresce e ganha uma força extraordinária. Destaque absoluto para a cena em que Zoret descobre que Michael vendeu a obra "O Vitorioso" - o maior trabalho do pintor, onde Michael fora o modelo e que fora presente de Zoret para o jovem amante: temos, aqui, a mais forte representação da traição que eu me lembro de ter visto numa cena de filme!!! Aliás, o filme trata justamente disto: da traição, em seu sentido mais amplo, além de discorrer também acerca da lealdade (essa na forma do personagem Charles Switt, que sempre amou e esteve ao lado de Zoret) e dos amores não correspondidos. Carl Th. Dreyer mostra, mais uma vez, sua genialidade na direção, repetida em obras maravilhosas como "A Paixão de Joana D'Arc" (1928), "Dias de Ira" (1943) e "A Palavra" (1955). O filme conta, ainda, com grandes atuações - Benjamin Christensen mostra, no seu olhar e expressão facial, toda a sua dor de se ver traído e abandonado; Nora Gregor também está fantástica como condessa Zamikov; e vale registrar o trabalho de Robert Garrison como o jornalista Charles Switt. Quem menos me impressionou foi justamente o ator que faz o personagem-título - Walter Slezak - que pouco tem a mostrar além de olhos de uma cor que não é deste planeta (sim, o filme é P&B, mas os olhos do rapaz parecem brancos de tão claros que são). A obra é FANTÁSTICA!!!! Recomendadíssimo, como tudo mais o que vi deste impressionante diretor dinamarquês!!!!

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