• hikafigueiredo

"Morte em Veneza", de Luchino Visconti, 1971

Filme do dia (2015) - "Morte em Veneza", de Luchino Visconti, 1971- Gustav (Dirk Bogarde) é um músico, já de certa idade. Por motivos de saúde, ele viaja à Veneza, para lá passar uma temporada. Em Veneza, ele se apaixonará profundamente e será consumido por sua paixão.





É difícil falar deste filme sem "spoilers", mas vou me esforçar. Primeiro lugar: como eu pude ter estes filmes aaaaaanos a fio na minha coleção e não o assistir???? Como, meu Deus, como???? O filme é uma obra de arte! É belíssimo, é delicado, é sensível, é simplesmente primoroso!!! Mas, para os que se interessarem, eu já vou avisando: é um filme contemplativo em sua essência. Pouquíssimos diálogos, o filme se conta somente por imagens e música. O filme trata menos da paixão em si do que do efeito dela sobre o personagem. Gustav pretende ser o arauto da correção e virtude, mas sua paixão desnuda sua verdadeira natureza, que, para os padrões morais da época (e, em certo aspecto, para os padrões morais "at all"), seria viciada e corrupta. O personagem, inicialmente, resiste a se entregar ao seu sentimento, mas um equívoco leva-o de volta ao espaço onde se encontra seu objeto de desejo e abre as portas para ele assumir e "abraçar" sua paixão. É interessante, ainda, acompanhar a imagem da cidade em contraposição com o estado de espírito de Gustav - bela e distante , em um primeiro momento; confusa e barulhenta, em outro; decrépita e desolada, enfim; sempre como um espelho do interior do personagem. Ah, esta é outra daquelas obras em que dá para ficar dias discorrendo sobre e levantando correlações, metáforas, etc, a seu respeito. A direção de arte, a fotografia e a trilha sonora são absolutamente perfeitas, é impossível melhorar. A atuação de Dirk Bogarde também é incrível - delicada, sutil e incrivelmente condizente com a situação. O filme ganhou o Prêmio do 25o aniversário em Cannes, o que, vamos combinar, não é pouca coisa. Por fim, me resta dizer, que o objeto de paixão de Gustav é uma beldade, mas, vamos e venhamos, é um tiro no pé... rs... Se você não se importa com filmes lentos, aconselho DEMAIS. É uma obra imperdível e maravilhosa.

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