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“Na Mira do Chefe”, de Martin McDonagh, 2008

  • hikafigueiredo
  • 20 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Filme do dia (45/2025) – “Na Mira do Chefe”, de Martin McDonagh, 2008 – Após uma missão desastrosa, na qual um inocente morreu, os matadores de aluguel Ray (Collin Farrell) e Ken (Brendan Gleeson) são enviados por seu chefe Harry (Ralph Fiennes) para a pequena cidade medieval de Bruges, na Bélgica. Enquanto Ken se encanta com as belezas locais, Ray mostra-se desgostoso por estar longe de sua cidade natal, sem saber que seu Harry tem planos nada agradáveis para ambos.


 

Primeiro longa-metragem dirigido por Martin McDonagh – diretor do ótimo “Três Anúncios para um Crime” (2017) e do excepcional “Os Banshees de Inisherin” (2022) – o filme já traz uma característica marcante em toda obra de McDonagh: o humor ácido, que incomoda e leva o espectador a um riso nervoso, muito diferente do riso solto das comédias tradicionais. Apesar de trazer esse humor e de ter sido “vendido” como comédia, eu não o classificaria neste gênero, mas como um drama leve sobre culpa, responsabilidade, expiação e compromisso com as próprias convicções. Na trama, dois assassinos de aluguel são enviados para se esconderem em Bruges, na Bélgica, após uma malfadada missão a qual vitimou um inocente. O responsável pelo insucesso da missão martiriza-se pela morte desnecessária, enquanto seu amigo – mais “escolado” na “profissão” – consola-o. O chefe de ambos, no entanto, vê o erro como algo imperdoável e decide que o responsável deverá ser severamente punido, impondo ao outro o dever de ser seu algoz. Pela própria natureza da trama, é claro, ainda, que o filme tem momentos de ação, com perseguições, tiros e mortes. Algo que me agradou foi a construção dos personagens Ray e Ken – enquanto Ray é impulsivo, falando o que lhe vem à cabeça sem qualquer filtro, Ken é pacato, dando mostras de sua sensatez.  O já mencionado humor ácido aparece ao longo de toda a narrativa, na maioria das vezes impulsionado pelo personagem Ray, que não tem pudores em desancar a pequena cidade de Bruges e o povo belga, em falar de obesos, anões, prostitutas e do que mais lhe surgir à frente - a maior parte do humor da obra chega a ser inconveniente e é exatamente deste mal-estar que se extrai a graça (a tempo: nada que sequer lembre certos comediantes criminosos de terras tupiniquins). A narrativa é linear, com uma única cena de flashback que explica a malsucedida missão. O ritmo inicia moderado, mas vai ganhando maior vigor à medida que nos aproximamos do final. A atmosfera geral do filme é estranhamente variável – temos momentos de leveza e graça, seguidos de outros introspectivos e até mesmo tristes e deprimentes. O roteiro, peculiar e repleto de soluções, no mínimo, esquisitas, foi agraciado com o BAFTA (2009) na categoria de Melhor Roteiro Original. Destaque para as locações originais, apresentando detalhes da cidade medieval de Bruges. Quanto ao elenco, temos a primeira interação entre os incríveis Colin Farrell e Brendan Gleeson - que, anos depois, voltariam a contracenar em “Os Banshees de Inishirin”. Ambos estão ótimos, muito embora ache Gleeson um ator com bem mais “lastro” que Farrell. Ralph Fiennes aparece bem menos do que a propaganda do filme sugere, com uma interpretação correta, mas sem grandes brilhos. No elenco, ainda, Clémence Poésy como Chlöe, Jordan Prentice como Jimmy e Thekla Reuten como Marie. O filme é envolvente e atiça a nossa curiosidade quanto ao desfecho que terá – e que poderá não agradar a todos, já aviso. Eu gostei, mas confesso que menos que outros filmes do mesmo diretor (inclusive a bobaginha “Sete Psicopatas e um Shitzu”, 2012). Segundo o Justwatch, presente em streaming pelo Prime Video.

 
 
 

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