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“Na Terra de Arto”, de Tamara Stepanyan, 2025

hikafigueiredo
há 12 horas
3 min de leitura

Filme do dia (44/2026) – “Na Terra de Arto”, de Tamara Stepanyan, 2025 – Céline (Camille Cottin) é uma viúva francesa que viaja à Albânia para conseguir uma certidão de nascimento de seu falecido marido Arto para pedir a dupla nacionalidade de seus filhos. No país, ela descobre que seu marido usava um sobrenome falso por ser um desertor do exército albanês. Decidida a entender melhor a história de seu companheiro e do país, ela viaja para os interiores da Albânia, até os limites da guerra contra o Azerbaijão.


 

Muito embora eu ache interessantíssimo conhecer um pouco mais sobre a história e a cultura da Albânia e concorde que o filme tem uma qualidade técnica bem elevada, a história dele simplesmente não faz o mínimo sentido! A personagem Céline viajar à Albânia para conseguir a documentação de seu falecido marido é compreensível, mas o que se segue a isso é um sem-fim de decisões que além de absurdas, alcançam o status da mais alta estupidez. Isso porque a protagonista entranha-se pelos interiores da Albânia, sem saber o idioma, sem conhecer pessoas, aproximando-se perigosamente do campo de batalha da guerra contra o país vizinho! Por mais que a história seja mera ficção, há limites do que é factível e do que seria a mais pura fantasia, a última, o caso desta história. Por qual motivo ela arriscaria a vida, podendo deixar dois filhos órfãos de pai E de mãe apenas para “entender melhor os motivos que levaram o companheiro a mentir sobre seu sobrenome e história”? Ah, faça-me o favor!!!! E a diretora faz questão de deixar bem evidente os perigos que a personagem está correndo, pois existem várias situações de tensão que poderiam ser claramente evitáveis. Além das decisões burras e inverossímeis da protagonista, temos também condutas nada críveis de outros personagens e até de figurantes se considerarmos a situação de guerra do país. Ela transita livremente pelo território sem despertar qualquer suspeita – inclusive na zona de conflito!!!! O filme se equipara aos filmes de terror no quesito “ações cretinas e inacreditáveis”. Isso é tão evidente que pouco sobra para comentar do filme além disso. Não há um questionamento sério sobre, sei lá, pertencimento, nacionalismo, exílio, guerra, companheirismo, qualquer assunto, pois é tudo muito frágil e superficial. Minha sensação é de que a diretora queria falar sobre a Albânia sem ter um conhecimento aprofundado sobre as coisas que a definem como país e nação, então ficou tudo solto, sem qualquer amálgama. Enfim, o filme é fraco na sua lógica interna e, também, no seu desenvolvimento. Mas a insensatez da personagem teve o mérito de segurar a minha atenção por toda a duração da obra, muito porque eu queria até onde o absurdo iria chegar. Também foi interessante ver algumas coisas sobre a cultura albanesa, como a abandonada, mas impressionante, Fonte de Ferro, ouvir um belo rap albanês e saber sobre o conflito contra o vizinho Azerbaijão. Camille Cottin deve ter tido de se esforçar muito para dar alguma veracidade à sua personagem Céline e não posso dizer que ela não interpretou a protagonista com seriedade. Destaque para uma curta participação do incrível Denis Lavant como o personagem Rob, mais um papel de gente estranha para o ator. O filme é ruinzinho, viu, não recomendo não, exceto se você tiver muita curiosidade sobre a Albânia (e olhe lá). Vigésimo nono filme visto na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 
 
 

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