“O Amor que Resta”, de Hlynur Pálmason, 2025
- hikafigueiredo
- 29 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Filme do dia (117/2025) – “O Amor que Resta”, de Hlynur Pálmason, 2025 – A convivência de uma família durante o processo de separação dos pais ao longo de um ano.

O longa islandês foca na vida de uma família cujos pais estão em processo de separação, mostrando o lento afastamento do pai em relação à família. Ao longo de um ano – tempo que é marcado através das estações – acompanhamos a família composta pela artista plástica Anna, o marinheiro Magnus e os três filhos do casal em seu cotidiano. Enquanto Anna busca uma evolução profissional, gradativamente supera o relacionamento que não deu certo e fortalece os laços com os filhos, Mágnus mostra-se engessado na sua existência, sem conseguir superar o fim da relação. A obra, repleta de lindas imagens de paisagens e rica em poesia, peca em seu desenvolvimento, pois as mudanças são muito sutis e temos certa sensação de que nada de importante acontece. Outra coisa que “me pegou” é que a narrativa segue pelo naturalismo durante uma hora e, de repente, começam a surgir cenas fantásticas, quase sempre envolvendo o pai, e que, pelo menos para mim, não ficaram claras as intenções – o que significa a cena do galo? E a do manequim? Vai ver sou que sou muito obtusa, mas essas cenas não me disseram nada, não alteraram nada do script que vinha se formando. Eu até estava gostando da obra – paradíssima, num ritmo quase geológico – até essas cenas serem incluídas, daí, admito, fiquei com uma preguiça monstro do filme. Os destaques positivos são a fotografia belíssima de uma paisagem idílica – a cena dos cassis e dos cogumelos é deliciosa! -, a atmosfera poética e a presença marcante da cachorra Panda (ela até ganhou o prêmio Palm Dog em Cannes). O desfecho é bobo e o filme me deixou com a sensação de “a que veio?”. Para completar, uma trilha sonora de piano de lounge de hotel, horrorosa, que só aumentou meu dissabor. O elenco é formado por Saga Garoarsdóttir como Anna, Sverrir Gudnason como Magnús, Ída Mekkin Hlynsdóttir como a filha Ida e os gêmeos Hlynsson como os filhos – eu até gostei do trabalho de Saga como Anna, mas o personagem Magnús é insuportável, é difícil até avaliar a interpretação do ator considerando o papel. No fim, achei um filme insosso, de roteiro frouxo, que não agrega nada e que se resume na beleza estética das imagens, muito pouco para segurar uma obra. Trigésimo segundo filme visto na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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