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“O Amor é o Monstro”, de Neto Villalobos Brenes, 2026

hikafigueiredo
há 1 minuto
2 min de leitura

Filme do dia (39/2026)- “O Amor é o Monstro”, de Neto Villalobos Brenes, 2026 – Num mundo distópico, marcado por violência e desigualdades sociais, uma avó (Anabelle Ulloa) quer passar o máximo de tempo possível com sua pequena neta. A mãe da criança (Natalia Regidor), no entanto, temerosa pela violência que as cerca, boicota as investidas da avó, tentando limitar a convivência entre as duas.


 

O filme costa-riquenho traz uma realidade bastante conhecida por brasileiros que vivem em metrópoles do país – a desigualdade social que gera violência urbana e leva parte da população a se trancar em condomínios fechados e ultra policiados. Na história, três gerações de uma mesma família vivenciam essa realidade social tensa e limitante. Vivendo em um espaço protegido chamado de Perímetro, avó, filha e neta enfrentam, de formas diferentes, o cotidiano com a violência. Enquanto a filha, a qual ocupa um cargo de liderança e poder naquele mundo distópico, vê-se engessada dentro de Perímetro, a avó, que vivenciou um tempo menos perigoso, arrisca-se saindo dos espaços policiados e discorda do alarme da filha. Um acontecimento, no entanto, fará com que as personagens tenham atitudes que jamais acreditariam assumir. A obra discorre sobre o que podemos fazer quando alguém que amamos corre algum perigo. Ainda que eu concorde que, sob pressão, as pessoas façam coisas monstruosas, achei um pouco exagerado o desenrolar da trama e o desfecho da história. Sem entrar em spoilers, adianto que uma das personagens terá uma conduta que ultrapassa muito qualquer entrave ético ou moral do ser humano. O problema é que a história se limita, praticamente, a esse comportamento imoral e cruel, o que me fez sentir certo esvaziamento da narrativa – muito tempo de história para pouco conteúdo. Além disso, não é uma conduta que vai se desenvolvendo e “cresce” no decorrer da narrativa, é pontual e repentino. Nesse sentido, lembrei de dois filmes nacionais que fazem esse percurso de um jeito muito mais estruturado: “O Animal Cordial” (2017) e “Os Enforcados” (2025). Achei a parte final da obra abrupta e muito desconectada de o que veio antes. Por outro lado, o filme traz uma curiosidade – o absoluto protagonismo feminino. Não, não se trata apenas das três gerações da mesma família: quase cem por cento dos personagens, sejam principais, secundários ou meros figurantes são mulheres. Eu me lembro de apenas três figuras masculinas ao longo da história, uma delas um figurante. Eu até pensei que isso teria alguma explicação na trama, mas... não, foi apenas uma escolha do diretor mesmo. Uma qualidade do filme é transmitir uma atmosfera de tensão constante, muito pautada nas falas da filha e na necessidade da personagem avó se identificar para seguranças armadas com fuzis para entrar em qualquer lugar. Confesso que não me conectei muito com esse filme, considero-o um dos mais fracos dos que eu vi da Mostra. Não recomendo não. Vigésimo quarto filme visto na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 
 
 

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