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  • hikafigueiredo

"O Anjo Azul", de Josef von Sternberg, 1930

Filme do dia (330/2020) - "O Anjo Azul", de Josef von Sternberg, 1930 - Immanuel Rath (Emil Jannings) é um professor sério e respeitado na pequena cidade onde mora e leciona. Um dia, ele sai em busca de seus alunos, que andam visitando, às noites, um cabaré. Na ocasião, conhece Lola (Marlene Dietrich), a cantora que ali se apresenta junto com sua trupe de artistas,e sente-se, imediatamente, atraído por ela.





O filme, responsável por alçar a diva Marlene Dietrich ao estrelato, baseia-se no livro "Professor Unrat", de Heinrich Mann e discorre sobre a degradação, a submissão voluntária e derrocada do protagonista frente seu objeto de desejo, Lola. Rath, mais do que apaixonado, praticamente enfeitiçado por Lola, entrega-se a ela, abandonando tudo que conquistara na sua vida e acompanhando-a junto com sua trupe país afora. A não tão lenta decadência de Rath, que vai de personalidade respeitada a fonte de riso e ridicularizações, sem esboçar qualquer reação, totalmente entregue e derrotado, partiu meu coração em milhares de pedaços. A figura de Rath desperta extrema piedade no espectador, ainda que eu não veja em Lola um contraponto "negativo"- sim, ela é sedutora e envolvente, mas não obrigou Rath a abandonar tudo e permanecer com ela, então, não a vejo responsável direta pela degradação do professor (mas desconfio que essa era a intenção ao mostrar Lola como uma "femme fatale" - e se nos aprofundarmos nessa discussão, chegaremos a uma questão bem machista e misógina, a de que um homem em decadência é culpa de alguma mulher... louvada deusa, isso dá discussão para mais de mês...). A narrativa é linear, fluída e bem lenta no início, ganhando ritmo à medida em que nos aproximamos do desfecho. A atmosfera é circunspecta, chegando a ser sombria em alguns momentos. A obra é uma representante do Expressionismo Alemão, ainda que não tão evidente e comentada quanto outras como "Metrópolis" (1927) ou "O Gabinete do Dr. Caligari" (1920) - ainda assim, percebemos a temática angustiante, a atmosfera pesada e a estética característica daquele movimento (a última fica bem evidente no beco onde o cabaré "O Anjo Azul" se encontra, com suas construções distorcidas e desequilibradas, e a fotografia escura, recortada e muito contrastada). É impossível falar do filme sem destacar as interpretações irretocáveis da dupla central. Jannings, um ator de teatro e cinema fenomenal, ganhador do primeiro Oscar de Melhor Ator da história, interpreta o Professor Rath de maneira magistral, fazendo com que o personagem desça a ladeira em velocidade Warp, arrancando o coração da platéia no movimento. Dietrich, por sua vez, interpreta um Lola sedutora, mas sem pesar a mão tornando-a caricata - não, ela é totalmente humana e verossímil, fazendo uma atuação maravilhosa. Destaque para a cena do casamento e, claro, para a cena final, extremamente tocante. Única reclamação - que figurino horrível foi aquele de Lola na apresentação? Dava para mostrar as belas pernas da atriz sem aquele "vestido" esdrúxulo e bisonho. A obra é perfeita, marcante e essencial, recomendo profundamente!!!!

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