• hikafigueiredo

"O Aviador", de Martin Scorsese, 2004

Filme do dia (260/2021) - "O Aviador", de Martin Scorsese, 2004 - EUA, 1927. Após receber uma fortuna milionária como herança de seus falecidos pais, o jovem Howard Hughes (Leonardo DiCaprio) lança-se na indústria cinematográfica como produtor e diretor através do filme "Hell´s Angels". No entanto, depois de alguns anos no ramo, o milionário dá uma guinada em seu negócios e passa a investir em sua grande paixão - a aviação - tornando-se o principal acionista de uma companhia aérea e apostando na engenharia aeronáutica.




Fazendo jus à excentricidade e aos exageros do biografado, a obra de Martin Scorsese sobre o milionário Howard Hughes mostrou-se, desde sua concepção, uma grandiloquente superprodução hollywoodiana - o que certamente agradaria o desmedido ricaço. Abrangendo cerca de vinte anos da vida de Hughes - de 1927 a 1947 - o filme aborda o período mais profícuo de sua existência - nesse curto período, o milionário produziu e dirigiu filmes em Hollywood, bateu recordes como piloto de avião, tornou-se o principal acionista de uma empresa aérea e colaborou no projeto de criação de diversos modelos de aviões, dentre os quais o famoso Hércules. Evidentemente, como em toda biografia, características positivas e negativas do biografado e fragmentos de sua história são evidenciados ou simplesmente ignorados para trazer maior dramaticidade e apelo à obra - acho que aqui nem precisava desses ajustes, porque a história de Hughes é suficientemente insólita e única para precisar destas manobras, mas é fato que nem tudo que ali é mostrado aconteceu daquela forma (em especial a maneira como se deu a CPI da qual foi objeto). A narrativa é linear, em ritmo de moderado a intenso. Scorsese não poupou esforços para fazer uma obra à altura do personagem, usando e abusando de tudo o que Hollywood tinha a oferecer, gerando um filme minuciosamente bem realizado, tanto que foi agraciado com prêmios técnicos a rodo no Oscar 2005 (Melhor Fotografia, Direção de Arte, Edição e Figurino). Visualmente, a obra é belíssima, com destaque absoluto para a direção de arte de época, extremamente feliz na reconstrução dos anos 1920, 1930 e 1940. O elenco, como era de se esperar, repleto de nomes famosos. Leonardo DiCaprio está estupendo como Howard Hughes - sua modificação da juventude cheia de energia e deslumbrada com sua fortuna para o homem de meia idade acometido de séria condição psiquiátrica é brutal - tanto que o ator recebeu o Globo de Ouro de Melhor Ator por sua interpretação; Cate Blanchett, sempre maravilhosa, interpreta ninguém menos que Katharine Hepburn e fica incrivelmente parecida com a colega de profissão - pelo papel, Blanchett recebeu o Oscar, o BAFTA e o SAG de Melhor Atriz Coadjuvante; Kate Beckinsale interpreta Ava Garner e a cantora Gwen Stefani, Jean Harlow. No elenco, ainda, John C. Reilly, Alec Baldwin, Alan Alda, Jude Law, Willem Dafoe - inclusive em meras aparições ao longo da obra. A obra é grandiosa, bem desenvolvida e envolvente - mas um pouco longa com suas quase 3 horas, ainda que não tenha me cansado não. É uma boa pedida - recomendo.

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