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  • hikafigueiredo

“O Baile dos Bombeiros”, de Milos Forman, 196

Filme do dia (46/2024) – “O Baile dos Bombeiros”, de Milos Forman, 1967 – Em uma pequena cidade do interior da Tchecoslováquia, os bombeiros locais realizam uma festa para comemorar o 86º aniversário do ex-chefe e diretor honorário da corporação. Ao longo de uma noite, acontecimentos abrirão as entranhas nada saudáveis da instituição.




 

Como já mencionado em outras postagens, durante a década de 1960, a Tchecoslováquia passou por um curto período de distensão e abertura em relação ao domínio soviético. Nesse período, surgiu um movimento cinematográfico de vanguarda, conhecido como Nouvelle Vague Tcheca, que dava voz à juventude sedenta de oportunidades e espaço, bem como tecia críticas, por vezes não muito sutis, à sociedade e às instituições sob a supremacia da União Soviética. Nessas circunstâncias, o diretor Milos Forman estabelece-se como um dos principais pilares da Nouvelle Vague Tcheca, realizando obras marcantes que deram direcionamento ao movimento. Nessa obra, temos críticas severas às instituições daquele país, apontando desde a absoluta incompetência à corrupção generalizada dos funcionários da corporação retratada, evidentemente como uma representação do todo social. Os bombeiros agem de forma desorganizada, incapazes de conduzir um simples festejo, mostrando não apenas desconhecimento em sua própria área, mas, ainda, comportando-se de maneira irresponsável. A corrupção alcança a todos, suas preocupações são mesquinhas e patéticas e sequer leais são entre si. Pouco a pouco o caos se instala e o que era para ser uma festa se torna um verdadeiro embate por vantagens de diversas espécies. Apesar do teor francamente cômico do filme, há momentos mais tensos e dramáticos, em especial na cena do incêndio. A narrativa é linear, em ritmo moderado. A atmosfera é superficialmente cômica e debochada, mas há, ali nas reentrâncias, algo bem melancólico em relação àquela realidade. Com uma linguagem seca, sem floreios, a obra não busca uma beleza formal – ao contrário, o filme almeja aproximar-se da realidade daquela sociedade através de uma estética com forte teor documental. Curiosa a recorrência do diretor em cenas que retratam a interação social através de festas e bailes, pequenos reflexos de um universo maior. O elenco não destaca personagens protagonistas - o protagonismo é da corporação como um todo, retratada com cores bem pouco gentis. A obra foi indicada ao Oscar (1969) na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. A obra é bastante crítica, mas seu humor ácido a torna bastante divertida. Eu gostei e recomendo. Segundo o Justwatch, está disponível em streaming nas plataformas Belas Artes à la carte e Filmicca.

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