• hikafigueiredo

"O Caso de Richard Jewell", de Clint Eastwood, 2019

Filme do dia (190/2020) - "O Caso de Richard Jewell", de Clint Eastwood, 2019 - EUA, 1996. O segurança Richard Jewell (Paul Walter Hauser) encontra, em meio a um evento das Olimpíadas em Atlanta, uma mochila contendo uma bomba. Avisa as autoridades policiais que agem sem impedir que a bomba detone, ferindo mais de 100 pessoas e matando duas. Três dias depois do atentado, Richard surge como o único suspeito da ação criminosa. Para provar sua inocência, Richard pede a ajuda de um antigo conhecido, o advogado Watson Bryant (Sam Rockwell).





Clint Eastwood pode acertar ou errar a mão, mas, em qualquer filme que dirija, sempre existem dois elementos: a indignação (ou o incômodo, ao menos) e uma dose cavalar de um drama sentimental que, por vezes, flerta, abertamente, com o melodrama. Eu me explico. Fazendo uma retrospectiva de todos os filmes que eu vi do diretor, um dos fios condutores de todos eles é a ação injusta contra algum personagem, que leva à indignação do espectador. Isso está, por exemplo, em "Os Imperdoáveis" (1992), em "Sobre Meninos e Lobos" (2003), em "Menina de Ouro" (2004), em "Gran Torino" (2008) e em "Sully: O Herói do Rio Hudson" (2016). Da mesma maneira, sempre há um sentimentalismo que pode pesar para o melodrama ou fincar o pé no drama propriamente dito e a que, dificilmente, o espectador consegue "resistir". Isto posto, encontramos ambos os elementos aqui. A narrativa segue a história do segurança que, de uma hora para outra, passa de herói da nação a um pretenso terrorista. O filme se esforça em mostrar Richard como um indivíduo com evidentes problemas psicológicos, mas que nem por isso seria o autor do atentado - o típico "louco manso", sabe? Richard chega a ser mostrado como um ingênuo, iludido com sonhos de heroísmo, mas incapaz de fazer mal a quem quer que seja. Temos, aqui, a indignação contra a ação injusta - a acusação infundada do FBI. O sentimentalismo fica por conta de todo sofrimento impingido a Richard e, ainda mais, à sua mãe idosa, Bobi. O filme prendeu bastante a minha atenção, mas admito que não me envolveu emocionalmente como outros do diretor - não me senti extremamente tocada pela narrativa, ainda que tenho tido profunda piedade de Richard e Bobi. O roteiro é bem convencional, segue tempo linear e cronológico e tem um ritmo bem compassado. Ainda que a narrativa não abrace com fervor o suspense (que seria "jogar" com a culpa ou inocência de Richard), ela mantém, durante um tempo, certa hesitação quanto à conduta do personagem, demorando um pouco para construir aquela imagem de inocência já mencionada. Tecnicamente, o filme é padrão e nada me chamou a atenção por demais. Quanto às interpretações, temos dois extremos: de um lado, personagens bem construídos e boas interpretações; de outro, personagens um tanto quanto rasos e interpretações superficiais. No primeiro caso, temos, em destaque evidente, a personagem Bobi, lindamente interpretada por Kathy Bates (sempre uma ótima atriz); achei a interpretação de Paul Walter Hauser, ator que eu sequer me lembrava, bastante boa: seu Richard consegue criar empatia e certo receio no espectador, diante de sua clara personalidade "fora da casinha", o que dá volume ao personagem; sou suspeita para falar de Sam Rockwell, pois gosto demais do ator, achando sua interpretação bastante satisfatória como o advogado Bryant. No segundo caso, destaco a interpretação de Olívia Wilde como a personagem Katthy Scruggs, uma jornalista arrogante e sem escrúpulos - acho que a atriz nem teve culpa, a personagem foi criada para ser tão desprezível que ficou caricata e Olivia Wilde não conseguiu reverter essa característica. Eu diria que está longe de ser o melhor filme do diretor, mas não posso dizer que é uma obra ruim - é envolvente, bem realizado e simpático. Acho que vai agradar a maior parte do público, por isso recomendo.

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