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  • hikafigueiredo

“O Dia Em Que A Terra Se Incendiou”, de Val Guest, 1961

Filme do dia (161/2023) – “O Dia Em Que A Terra Se Incendiou”, de Val Guest, 1961 – Após EUA e URSS realizarem, simultaneamente, gigantescos testes nucleares, com a detonação de inúmeras bombas atômicas, o planeta sai de seu eixo natural e muda a sua órbita, causando diversos desastres naturais e castigando os seres vivos. Assim, a humanidade terá de buscar uma forma de retomar a órbita natural da Terra, sob o risco de sua própria extinção.




 

Entre os anos 50 e 60, o mundo estava em plena Guerra Fria e vivia a paranoia nuclear – a qualquer momento, um embate atômico entre as duas superpotências poderia ter lugar, condenando a humanidade e o planeta. Sob essa pressão constante, o cinema – em especial o estadunidense e o britânico – produziu uma série de filmes apocalípticos sobre as consequências de uma guerra nuclear ou, ao menos, do uso irrestrito da energia atômica. Esta obra encontra-se perfeitamente inserida neste grupo de filmes, muito embora aposte mais em um acidente relacionado às detonações das bombas atômicas do que propriamente numa contenda entre as duas superpotências. Ainda que por motivo diverso, a obra mostra-se muito atual – sai a questão nuclear, entra a ambiental, mas as consequências para os seres continuam na mesma direção. Após EUA e URSS realizarem, simultaneamente, os maiores testes nucleares de suas histórias, a Terra sai de seu eixo e de sua órbita naturais. O resultado é uma série de desastres naturais de enormes proporções – terremotos, ciclones, derretimento das calotas polares e aumento brutal da temperatura planetária, causando uma seca sem precedentes (me senti em casa... :/). Com todos os seres vivos sendo cruelmente fustigados, o ser humano precisa encontrar uma forma de consertar aquilo que criou. A condução da história se dá através do personagem Peter Stenning, um jornalista promissor que se encontra em vias de se tornar alcoólatra em decorrência de uma separação. Será através de seu jornalismo investigativo que acompanharemos a descida do ser humano ao inferno devido a seus próprios atos – quer algo mais atual que isso? “Chega mais, aquecimento global!”. A narrativa começa quando os governos dos países se unem para tentar reverter o problema e o protagonista escreve sua, talvez, derradeira reportagem. A história, então, retroage até o início da questão, dias após os testes nucleares dos dois países, quando o planeta começa a sentir seus efeitos. Em paralelo à trama principal, temos o envolvimento de Peter com a telefonista Jeannie – não sei se para dar alguma leveza na história, para trazer alguma esperança ou para justificar o fato de Peter, em clara depressão, não abraçar com fervor o apocalipse que se aproxima. A atmosfera, lógico, é pesada, angustiante e francamente pessimista. O uso de cenas reais de secas e incêndios foi desgastante e não consegui acompanhar as imagens. A fotografia P&B pouco contrastada ganha, nas cenas do “presente” (início e fim do filme – um tom sépia, quase amarelo profundo, para ressaltar a ideia de calor e seca. Ainda que existam algumas locações reais, inúmeras cenas foram rodadas em estúdio, simulando outros espaços, inclusive externos. Foi usada a sede real do jornal Daily Express para representar as dependências do jornal onde o protagonista trabalhava. O elenco é composto por Edward Judd como Peter Stenning, Janet Munro como Jeannie e Leo Mckern como Bill Maguire, um jornalista veterano e amigo de Peter. O filme foi agraciado com o prêmio de Melhor Roteiro Britânico no BAFTA (1962). Insisto em afirmar que a obra é muito atual, tendo um interessante fundo filosófico acerca da arrogância do ser humano e da certeza de que essa arrogância e o total descaso com o planeta trarão consequências – que, atualmente, estão batendo à nossa porta. É um filme pesado e muito pessimista, aconselho a ver num dia em que o astral esteja em alta. Muito bom, gostei e recomendo.

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