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“O Diabo a Quatro”, de Alice de Andrade, 2004

  • hikafigueiredo
  • 2 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Filme do dia (76/2025) – “O Diabo a Quatro”, de Alice de Andrade, 2004 – Em Copacabana, as vidas de quatro pessoas muito diferentes se entrelaçam: a babá Rita de Cássia (Maria Flor) está interessada no surfista playboy Paulo Roberto, que a dispensa quando descobre que é virgem; o cafetão Tim Mais (Márcio Libar), por sua vez, vê em Rita alto potencial para seus clientes; e o menino Waldick (Netinho Alves) quer se tornar camelô, mas se encanta pela babá.


 

Eu sou uma grande entusiasta do cinema nacional e, com frequência, descubro verdadeiras pérolas desconhecidas, esquecidas ou esnobadas. Foi assim que assisti filmes pouco comentados como o sensível “Mãe e Filha” (2011), o sensacional “A História da Eternidade” (2014) ou o contundente “Canastra Suja” (2016), dentre tantos outros filmes nacionais. Mas, às vezes... ah, às vezes!!!!... o tiro no pé é grande também, viu? Como arrisco muito, tem horas que me deparo com obras que, por Deus, não tem nem como defender. E hoje aconteceu isso, quando resolvi visitar o confuso “O Diabo a Quatro”. Gente... sinceramente... tem filme que contribui muito pela (injusta) má fama do cinema nacional. A obra tenta fazer uma comédia de erros, com situações supostamente engraçadas e caóticas, apostando em personagens teoricamente criativos, interpretados por atores e atrizes reconhecidamente talentosos. Pois bem, o que temos é um roteiro truncado, que sai de lugar algum e chega em nenhum lugar, sem qualquer timing cômico, com personagens caricatos e situações pouco verossímeis. Em outras palavras: é ruim, mas ruim com força. E não me venham dizer que é um cinema subversivo, provocativo, criativo – uma ova, é só ruim mesmo. Cinema subversivo era o Cinema Marginal da década de 70, que tinha uma proposta e um propósito, aqui só temos um roteiro malfeito e mal costurado. O que me chocou foi o tanto de gente muito boa em um filme tão tosco. Mesmo a qualidade técnica – som, fotografia, edição -, foi bem decepcionante. O que ainda se salva é a trilha sonora, bem adequada, e algumas interpretações (nem todas) – ainda que sua personagem tenha a espessura de uma pizza, Maria Flor se esforça para entregar um bom trabalho como Rita de Cássia/Mistery; Marcelo Faria interpretou pela milésima vez o carioca playboy descolado, então não tinha muito como errar, né? Márcio Libar apresentou um trabalho irregular, em algumas cenas ele estava bem, em outras, um desastre; achei que o menino Netinho Alves tinha potencial para ser bom, viu, gostei dele a despeito da evidente pouca experiência; mas, para mim que se saiu melhor, foi Jonathan Haagensen como China – eu curto esse ator, ele sempre entrega um bom trabalho! No elenco, gente de peso como Ana Beatriz Nogueira, Evandro Mesquita, Zezeh Barbosa, Ney Latorraca e até Chris Couto e Marília Gabriela, todos em participações especiais incompreensíveis. Eu não vou me delongar porque detestei o filme, perdi 108 minutos de existência. Não vou recomendar e nem mesmo procurar onde existe para ver. A mídia física? Colocar para vender...

 
 
 

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