• hikafigueiredo

"O Garoto Toshio", de Nagisa Oshima, 1969

Filme do dia (206/2021) - "O Garoto Toshio", de Nagisa Oshima, 1969 - Uma família, composta pelo casal Takeo (Fumio Watanaba) e Takeko (Akiko Koyama) e seus filhos Toshio (Tetsuo Abe) e "Peewee" (Tsuyoshi Kinoshita), especializa-se em dar golpes em motoristas desavisados, simulando atropelamentos inexistentes e extorquindo dinheiro deles para não envolver a polícia na situação.





Baseado em um fato real, o filme de Nagisa Oshima retrata um momento pontual do Japão, onde a modernização do país se estabelecia com velocidade ao mesmo tempo em que sua sociedade perdia características intrínsecas de seu povo, tais como severidade e brio. Ainda que a família em questão demonstre certa estabilidade, é certo que encontra-se estruturada em terreno pantanoso: sem contar com qualquer fonte de renda por meio de um trabalho lícito, o casal opta por dar golpes em motoristas, simulando acidentes e lhes extorquindo dinheiro. Para tanto, envolvem o pequeno Toshio, filho de dez anos de Takeo e enteado de Takeko, nas empreitadas delituosas, mesmo que isso signifique um risco para a criança. Além disso, o caráter violento e autoritário de Takeo subjuga a esposa e os filhos, que não encontram forças para sair daquela situação criminosa. A narrativa é linear, em um ritmo pausado e constante. A atmosfera é de impassibilidade e frieza - tirando os arroubos e brigas de Takeo e Takeko, temos um clima de indiferença, principalmente no que tange ao personagem Toshio, que parece sempre alheio a tudo. O menino tem comportamento de adulto e olhar de um velho alquebrado a ponto de ser incômodo ao espectador a sensação de perda de inocência e infância do garoto. A fotografia alterna diferentes tons - por vezes a imagem mostra-se azulada, outras os tons amarelos ganham destaque, sempre de uma forma bastante e propositalmente artificial (há cenas em que os personagens surgem completamente azuis, de tanto que é adicionado essa cor na fotografia). Os planos são predominantemente médios e a câmera quase sempre muito estática. Das interpretações, o destaque fica por conta de Akiko Koyama, bastante expressiva como Takeko. Não vou mentir: dos filmes de Oshima, foi a obra que menos me envolveu (pelo contrário, tive de lutar, a duras penas, contra um sono insistente), nada que lembre, nem remotamente, as obras "O Enforcamento" (1968), "Juventude Desenfreada" (1960) ou, ainda, o maravilhoso "Tabu" (1999). É... prefiro indicar esses últimos filmes do que esse aqui...

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