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"O Golem, Como Veio ao Mundo", de Paul Wegener, 1920

Filme do dia (168/2020) - "O Golem, Como Veio ao Mundo", de Paul Wegener, 1920 - Cidade de Praga, século XVI. Um decreto real ameaça a comunidade judaica do local. Em desespero, o Rabino Loew (Albert Steinrück), almejando salvar seu povo, dá vida à criatura Golem (Paul Wegener).





Neste representante do Expressionismo Alemão, passeamos pela lenda do Golem, criatura mitológica criada à partir de matéria inanimada e levada à vida através de dizeres mágicos colocados em seu peito. O filme transita entre o gênero fantasia e terror, baseando-se em uma publicação de contos judaicos de 1847. Aqui encontramos um pouco das origens do anti-semitismo na região do leste europeu, que levariam aos "pogroms" (perseguições e massacres de judeus no final do século XIX em diversas partes da Europa) e que culminariam com a perseguição nazista aos judeus. A atmosfera sombria que pairava na Alemanha no entre-guerras está aqui presente, da mesma forma que encontramos em "O Gabinete do Dr. Caligari", do mesmo ano. Aliás, ambos os filmes tem uma estética bastante parecida, com suas arquiteturas retorcidas, portas e janelas pontudas, escadas íngremes e tortas, maquiagens pesadas e fotografia P&B muito contrastada. Até mesmo a ideia do mal consubstanciada em uma figura humana acontece em ambos os filmes - em um temos Cesare, o sonâmbulo, em outro, o Golem. As interpretações, como era comum no cinema não sonoro, são bastante teatrais, exageradas, mas destaco a interpretação do Golem feita pelo próprio Paul Wegener, diretor da obra - a criatura, criada a partir da argila, movia-se lentamente, com movimentos contidos, "duros", não nos deixando esquecer, um só momento, da sua matéria prima sólida, não maleável; achei interessante essa opção da forma de se mover do personagem. Também gostei de sua maquiagem - feito de argila, o Golem era todo escuro, o que ressaltava os olhos muito claros do ator/diretor, dando, ainda mais, a impressão de ser uma criatura inumana. Eu achei o filme um pouco arrastado, não me envolveu como outras obras do Expressionismo Alemão e acabei terminando de ver mais por interesse histórico mesmo. Acho que só é interessante para quem tem interesse específico no tema e só para esse recomendo.

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