• hikafigueiredo

"O Homem de Palha", de Robin Hardy, 1973

Filme do dia (201/2017) - "O Homem de Palha", de Robin Hardy, 1973 - Um policial - o sargento Howie (Edward Woodward) - é destacado para investigar o desaparecimento de uma adolescente em uma ilha afastada, no litoral da Escócia. Ao chegar à ilha, o policial conhece o Lorde Summerisle (Christopher Lee) e entra em contato com a estranha e pagã religião local.





Misto de suspense, policial e terror, a obra oferece muito mais do que inicialmente se poderia supor. Temos aqui uma crítica bem interessante acerca do fanatismo religioso, inclusive do cristão, ao se inverterem os papéis da religião dominante (cristianismo X seitas pagãs), mas que levam exatamente ao mesmo resultado (não posso me aprofundar mais sob risco de revelar um big spoiler). A atmosfera geral é de tensão crescente, que prevê um desfecho terrível. É curioso o clima inicial da obra, porque, no princípio, tudo parece leve e bucólico, inclusive com uma trilha sonora com ares de folk, com violãozinho e vocal suave - que em nada faz supor o que virá adiante. O filme tem, ainda, uma pegada meio profana, com várias cenas de nudez e de sexo (não explícito) - não muito indicado para ver com as crianças ou os pais idosos na sala. A estética é completamente setentista, desde o figurino até o tipo de movimento de câmera, a ponto de eu ter chutado o ano do filme sem saber e errado por um único ano (chutei 1972, ele é de 1973). A fotografia é meio amarelada, esmaecida, sem muito contraste. O ritmo, perto dos filmes de terror atuais, é lento e talvez incomode quem está acostumado à velocidade "warp" do cinema recente. Edward Woodward se sai bem como o policial certinho e "carola", mas é claro que o nome que sobressai é o do ídolo dos filmes de terror Christopher Lee - por mais que ele tenha um pé forte na canastrice, o ator tem um apelo entre os fãs do terror (dentre os quais me incluo) que faz virar ouro (quase) tudo o que ele toca, e aqui não é diferente, pois ele cria uma aura de insanidade em seu personagem que conquista totalmente o público. O filme é muito, muito, bacana, e, conseguindo ignorar a estética datada e o ritmo "antigo", dá ao espectador a chance de assistir a um filme bastante original, crítico e tenso. Recomendadíssimo.

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