• hikafigueiredo

"O Homem que Mudou o Jogo", de Bennett Miller, 2011

Filme do dia (203/2020) - "O Homem que Mudou o Jogo", de Bennett Miller, 2011 - O ex-jogador de baseball Billy Beane (Brad Pitt) é o dirigente de um pequeno time do esporte. Desanimado com a performance medíocre do time, Billy opta por tentar uma nova maneira de administrá-lo, apostando em análises matemáticas das performances dos jogadores.





O filme foi bastante elogiado na época de seu lançamento, concorrendo, inclusive ao Oscar de Melhor Filme em 2012. Não vi motivo para tanto. Na realidade, considero o filme protocolar. Tirando pelo desfecho inusitado para um filme norte-americano e pelas atuações bastante boas do time de atores, não vi maiores méritos na obra. Okay, talvez o problema seja eu, que a cada dia mais prefira filmes esquisitos, inovadores e autorais ao invés do cinema hollywoodiano, mas, para o meu gosto, o filme não despertou nem emoções nem questionamentos. Talvez, também, o universo do filme tenha contribuído para a falta de envolvimento - afinal, não tenho qualquer proximidade com o esporte e o funcionamento de seus bastidores e meu parco conhecimento alcança, quando muito, as regras do baseball e o que significa um "home run". De qualquer forma, foi um filme em que fiquei praticamente indiferente, o que, para mim, é sinal de derrota. A obra finca o pé no pouco conhecido universo do baseball e acompanha a trajetória do protagonista ao longo da temporada em que, subvertendo todo o trabalho de olheiros e analistas do esporte, resolve ouvir um jovem economista formado em Yale e suas análises matemáticas acerca da performance do time e de seus jogadores. Através de tais análises, do uso de algoritmos e de projeções, o personagem monta um time de supostos "perdedores", ao contrário de atletas promissores, dando mais atenção à unidade do time do que a talentos pessoais. O desenvolvimento do roteiro se dá em bases bem tradicionais até um desfecho que subverte, em parte, a lógica estabelecida (e aí entra a falta de conhecimento de como funciona a "tabela" do campeonato do esporte nos EUA). O tempo é cronológico, com algumas poucas inserções acerca do passado de Billy como jogador (inclusive, demorei a concatenar que o Billy jogador era o Billy dirigente no passado). O ritmo é crescente até o clímax e depois entra no "modo viagem" até o fim. O filme ganha força com os diálogos ágeis - infelizmente, parte deles se perde na questão de como funcionam os bastidores do esporte, como nas bases de negociações e trocas de jogadores, coisa que, admito, entendi patavinas. O melhor do filme são as interpretações do elenco. Brad Pitt está fantástico como Billy - a tensão crescente que surge pelas dúvidas do personagem se está realmente no melhor caminho é muito bem colocada; Jonan Hill também faz um excelente trabalho como Peter, o economista que aposta todas as suas fichas em suas análises; e Philip Seymour Hoffman mostra todo o seu talento habitual (ele jamais deixou cair a peteca!!!) como o treinador Art Howe; Chris Pratt aparece como um jovem jogador (eu nem me dei conta que era ele, só descobri quando olhei o elenco) e a fantástica Robin Wright é desperdiçada no papel de Sharon (para quê colocar uma atriz desse quilate numa ponta desprezível?). Então... o filme flui direitinho, não me deu sono, mas também não me despertou quase nada. Não sei se sou eu ou o filme, mas certo é que vou esquecê-lo em alguns dias. Em todo caso, para quem gosta de filme quadradinho, pode ser uma boa opção.

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