• hikafigueiredo

"O Homem Que Sabia Demais", de Alfred Hitchcock, 1934

Filme do dia (20/2022) - "O Homem Que Sabia Demais", de Alfred Hitchcock, 1934 - O casal Bob (Leslie Banks) e Jill (Edna Best) estão passando férias em Saint Morritz, junto com sua filha Betty (Nova Pilbeam). A morte de um agente secreto incógnito envolverá a família em um complexo complô para assassinar um diplomata em Londres.





Primeira versão da obra, refilmada posteriormente em 1956, o filme discorre sobre os esforços de um casal para encontrar a jovem filha sequestrada após receberem informações acerca dos planos de um grupo para assassinar um importante diplomata. A obra já traz elementos encontrados nos demais filmes do diretor - o suspense sólido, o personagem que, sem ter a responsabilidade para tal, assume a tarefa de resolver uma trama ou mistério (no caso, o pai da menina sequestrada que, temendo represálias, não busca o apoio da polícia), a revelação dos antagonistas ao longo da história (aqui, nas figuras do assassino do agente secreto e do mandante do crime). Talvez por já conhecer a história, não fui pega pela tensão habitual das obras do diretor - se bem que eu sabia toda a trama de 'Psicose" (1960) e, ainda assim, quase subi pelas paredes quando assisti ao filme pela primeira vez. Também admito que fui influenciada pela refilmagem, obra que conheço nos detalhes por ter sido objeto de monografia na época da faculdade, e, na minha opinião, bastante superior ao original (num destes raros casos em que a refilmagem supera o filme anterior) - senti algumas fragilidades no roteiro que inexistem na filme posterior, como na cena em que o personagem Louis Bernard foge com facilidade do templo, ou a benevolência dos criminosos na mesma cena e em outras posteriores, coisas inverossímeis em se tratando da situação. A narrativa é linear, em ritmo marcado. A atmosfera é de tensão constante, sem momento de trégua. O filme traz uma fotografia P&B marcada, que, por vezes, remete à estética do Expressionismo Alemão, principalmente na cena final. Hitchcock já mostrava sofisticação na linguagem, com uso de planos criativos e posicionamentos de câmera incomuns. O elenco traz um inexpressivo Leslie Banks no papel de Bob e a insossa Edna Best como Jill - ainda que se considere o ar blasé tipicamente inglês, a reação dos personagens ao sequestro da filha não me convenceu e não sei se essa a intenção de Hitchcock (até porque isso não acontece na refilmagem); não gostei das interpretações da dupla, em especial de Leslie Banks; Nova Pilbeam interpreta a filha Betty - a personagem é uma chata e o fato de eu ter me irritado com a menina talvez indique que a jovem atriz a interpretou bem; no papel de Louis Bernard, Pierre Fresnay, talvez na melhor interpretação do filme; Peter Lorre interpretou Abbott, jamais decepcionando como figura asquerosa, e Frank Vosper fez o personagem Ramon Levine. Apesar de um Hitchcock ser, sempre, um filme acima da média, confesso que este me decepcionou um pouco. Claro que estou influenciada pela refilmagem, mas, ainda assim, fiquei a anos-luz da tensão que seus filmes habitualmente me causam. Prefiro a refilmagem de 1956.

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