• hikafigueiredo

"O Homem que Sabia Demais", de Alfred Hitchcock, 1956

Filme do dia (26/2022) - "O Homem que Sabia Demais", de Alfred Hitchcock, 1956 - O médico norte-americano Dr. Benjamin McKenna (James Stewart) e sua esposa, a cantora Josephine McKenna (Doris Day), encontram-se em férias no Marrocos, juntamente com Hank (Christopher Olsen), filho do casal. A caminho da cidade, eles conhecem Louis Bernard (Daniel Gélin), sem saber que ele é um agente secreto infiltrado. Quando Louis Bernard é assassinado, Benjamin recebe informações confidenciais acerca de um complô internacional. Para calá-lo, impedindo-o de revelar tais informações, Hank é sequestrado. O casal, terá, agora, de buscar, sozinho, o paradeiro da criança.





Refilmagem da obra homônima de 1934, também de Hitchcock, o filme é um raríssimo caso onde um remake supera - e muito! - a produção original. O roteiro anterior, repleto de furos e de situações inverossímeis, foi, aqui, retrabalhado, sendo sanados todos os pontos implausíveis ou exagerados da história, mas mantendo boa parte da trama intacta. Se, no filme original, o comportamento do casal era pouco convincente, aqui ganha cores realistas, em especial pela interpretação de Doris Day como a mãe desesperada. A narrativa é linear, em ritmo intenso desde o sequestro da criança. A tensão é trabalhada com esmero por Hitchcock, inclusive com a inclusão de "pistas falsas" que fazem a agonia não somente dos personagens, mas, também, dos espectadores - o início da cena do primeiro "Ambrose Chapel" é espetacularmente tensa. Mas a cena de maior destaque é a da orquestra - que foi, inclusive, objeto de trabalho de faculdade quando eu era estudante, o que me custou algumas horas de vida decupando-a, plano a plano: nesta, temos um belíssimo trabalho de edição que, aliado à interpretação de Doris Day e à trilha sonora pontual, nos entrega a mais tensa sequência da obra, simplesmente perfeita. Tecnicamente, não há muito o que falar da obra que "não chova no molhado" - Hitchcock, já um renomado cineasta, maduro e mais em forma do que nunca, teve todos os recursos possíveis à sua disposição e talento, de forma que a refilmagem da obra mostra-se perfeita em todos os aspectos. Merece destaque, no entanto, a inclusão da música "Que Sera, Sera" na trilha sonora, marcante inclusive para a trama. Para acabar com qualquer dúvida quanto ao valor deste remake, chegamos ao elenco - se no original tínhamos um trabalho no mínimo insosso da dupla Leslie Banks e Edna Best, aqui temos o brilho inegável de James Stewart e Doris Day, ambos extraordinários em seus personagens. Se pensarmos no elenco, a única perda é a ausência do monstruoso Peter Lorre, que brilhou na obra original e que, aqui, não encontra vilão à altura (a ponto de seu personagem ter sido suprimido da história, provavelmente por não ser possível superá-lo). Sou muito suspeita para discorrer sobre esse filme, já que tenho verdadeira memória afetiva em relação a ele, mas posso afirmar que este é um filme acima da média do diretor (okay, não alcança a tríade dos sonhos - "Janela Indiscreta", 1954, "Um Corpo que Cai", 1958, e o imbatível "Psicose", 1960 -, mas eu o colocaria facilmente na quarta posição em um ranking... rs). Filmaço. Gosto demais da conta e recomendo!

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