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  • hikafigueiredo

“O Homem que se Vendeu”, de Preston Sturges, 1940

Filme do dia (24/2023) – “O Homem que se Vendeu”, de Preston Sturges, 1940 – O vagabundo Dan McGinty (Brian Donlevy) cai nas graças de uma rede de corrupção ao comprovar sua habilidade em extorquir dinheiro e aproveitar qualquer chance de se dar bem. Ele acaba cedendo a um casamento de fachada com sua secretária Catherine (Muriel Angelus) para arregimentar votos femininos para sua campanha para prefeito da cidade. Na política, ele continua corrupto, mas uma surpreendente paixão por sua falsa esposa vem despertar desejos de redenção em McGinty.





Estreia do já roteirista Preston Sturges na direção, o filme é uma bem construída sátira acerca da corrupção na sociedade e na política. Muito mais crítico que as obras posteriores do diretor, o filme, no entanto, já acena com uma comicidade bem dosada, apoiada em diálogos rápidos e algum humor físico. Embora exista o movimento redentor do protagonista, o filme tem um tom um tanto quanto amargo, pois expõe uma profunda descrença em qualquer mudança na política e na sociedade, retratadas como desonestas, corruptas e viciadas, de sua base até o topo. Como nos filmes subsequentes de Sturges, o romance tem um peso importante na narrativa, sendo a força motriz da tentativa de mudança do personagem principal. Por outro lado, a obra distancia-se bastante das “screwball comedies” que fizeram o sucesso posterior de Sturges na direção. A narrativa é parcialmente linear, tratando-se, na verdade, de um grande flashback contato pelo protagonista a dois (quase) desconhecidos. Achei bem interessante e diferente a “abertura” da narrativa, pois o protagonismo de McGinty só será revelado após alguma ação de um personagem completamente secundário, mas com aparência de importante à primeira vista. O ritmo é intenso – Sturges é hábil em manter a narrativa sempre “movimentada”, sem qualquer “tempo morto”, o que garante a atenção constante do espectador. O roteiro consegue amalgamar bem diversos gêneros – temos romance, comédia, thriller policial, drama, tudo em doses equilibradas, de forma que praticamente nenhum gênero se impõe aos demais. A atmosfera tem algo de tensa e sombria, abrandada pelos momentos descontraídos de humor. Formalmente, o filme “puxa” para os thrillers policiais, com uma fotografia mais escura e contrastada, planos comumente médios e edição mais marcada. O elenco traz Brian Donlevy – um ator completamente desconhecido para mim – como Dan McGinty, cumprindo suficientemente bem sua missão de interpretar um sujeito durão e de caráter bastante duvidoso; Muriel Angelus – outra ilustre desconhecida para mim – interpreta Catherine e, como Donlevy, esteve “okay” na personagem. Akim Tamiroff interpreta “The Boss”, o cabeça da rede de corrupção, talvez a melhor interpretação da obra. O elenco de apoio de Sturges, que viria a trabalhar em praticamente todos os seus filmes posteriores, encontra-se toda lá: William Demarest, Esther Howard, Jimmy Conlin, dentre outros. O filme foi o primeiro ganhador do Oscar (1941) de Roteiro Original da história da Academia. Apesar de gostar mais das comédias malucas do diretor, o filme é bem legal, muito equilibrado e redondinho e prendeu minha atenção do começo ao fim, motivo pelo qual recomendo com prazer.

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