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"O Julgamento de Viviane Amsalem", de Ronit & Shlomi Elkabetz, 2014

Filme do dia (114/2016) - "O Julgamento de Viviane Amsalem", de Ronit & Shlomi Elkabetz, 2014 - Viviane (Ronit Elkabetz) é casada com Elisha (Simon Abkarian) há trinta anos. Ela não é feliz. Ela quer o divórcio. No entanto, em Israel, não existe casamento civil e a última palavra é do marido. Elisha não quer dar o divórcio. Diante de um tribunal religioso de rabinos, Viviane defenderá sua decisão e tentará convencer Elisha a libertá-la.





Prepare-se para sentir a mais pura indignação ao assistir esse filme, nos moldes de "Em Nome do Pai", "Em Nome de Deus", "Osama" ou "Philomena".Esta é uma obra que mexe com a mais profunda ideia de (in)justiça. O espectador, como a personagem Viviane, sente-se impotente, tolhido dos seus mais básicos direitos - o direito à vida, à escolha, à liberdade. Numa procissão sem fim ao tribunal, Viviane a seu advogado Carmel (Menashe Noy) buscam, durante anos, dobrar a teimosia de Elisha. A construção da agonia de Viviane, assim como a construção dos personagens é vagarosa. Como num exercício de paciência, os apelos de Viviane vão sendo negados e os personagens vão mostrando sua cara. O calmo e educado Elisha, aos poucos, mostra-se intransigente, cruel, vingativo, arrogante - isso sem elevar o tom uma única vez. O filme, ainda, expõe o que é viver num estado teocrático, onde leis "divinas" decidem os rumos das pessoas e das coisas. Ainda que Israel não seja totalmente teocrático (uma vez que possui constituição e tals), muito de sua sociedade é regido pela religião - o que é mostrado no filme. Por fim, a obra escancara o machismo evidente da religião judaica e a condição da mulher em Israel, onde a última palavra é do homem, sempre. Viviane é tratada como posse de Elisha e ele pode decidir sobre a liberdade dela ou sua eterna prisão em um casamento infeliz. Prepare-se para se indignar, espectador. O roteiro é linear, em tempo cronológico, e muito bem construído, usando somente as audiências de divórcio - o mais longe que vamos é na antessala do tribunal, o que gera certa sensação de claustrofobia. O filme possui, majoritariamente planos americanos e, em raros momentos, alguns planos mais fechados nos atores, principalmente em Viviane e Elisha. Os ângulos de câmera são bem tradicionais, para não desviar a atenção da história. As interpretações são realmente muito boas, com destaque para Ronit Elkabetz que tenta se manter impassível diante do tribunal e, paulatinamente, vai perdendo o auto controle, vai se desesperando, ainda que não demonstre. O filme é excepcionalmente bom, e recomendo com ênfase.

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