• hikafigueiredo

"O Martelo das Bruxas", de Otakar Vávra, 1970

Filme do dia (119/2020) - "O Martelo das Bruxas", de Otakar Vávra, 1970 - Século XVII. Em um condado na região da República Tcheca, uma mendiga tenta subtrair uma hóstia para fazer uma simpatia, o que desencadeará uma série de julgamentos e perseguições pela Inquisição.





O filme é baseado em registros históricos verdadeiros de diversos julgamentos de pessoas acusadas de bruxaria - os depoimentos dados pelos réus são transcrições destes registros. A obra é chocante, pois retrata, com crueza, como eram conduzidos os julgamentos pelos inquisidores, a quem era dado poder supremo. Através das mais horrendas torturas, os acusados acabavam confessando qualquer coisa que os inquisidores indicassem - e quem não confessaria? - inclusive denunciando as pessoas sugeridas por eles. Na história, um estalajadeiro sem estudo e sem escrúpulos, que no passado fora inquisidor, é nomeado para conduzir o julgamento da mendiga e acaba obrigando-a a denunciar vizinhos e conhecidos e assim sucessivamente, até condenar à morte metade do condado, incluindo aqui pessoas com posses - já que o inquisidor ficava com os bens dos condenados - e desafetos - todos aqueles que, por bom senso ou piedade, iam contra os interesses do inquisidor. A postura do inquisidor e da elite é bem parecida com a conduta dos atuais poderosos - é sério, dá para fazer um belo paralelo com os dias de hoje. O sadismo do inquisidor e de seus asseclas é realmente chocante - pelo visto, sociopatas sempre existiram na história da Humanidade. O filme é daqueles que causam indignação pelo tanto de injustiças que retratam, nos moldes de obras como "Em Nome do Pai" (1993), "Em Nome de Deus" (2002), "Batismo de Sangue" (2006) ou "Philomena" (2013). A obra é uma verdadeira denúncia da injustiça e dos desmandos daqueles a quem é dado poder. O filme está incluído no rol de filmes da Nouvelle Vague tcheca. No elenco, Vladimir Smeral como o ignóbil inquisidor Boblig - um dos personagens mais abjetos que já vi na vida; Elo Romancik como o pároco Lautner e Sona Valentová como a empregada Zuzana. Esse é um filme de terror que aterroriza não pelos elementos sobrenaturais que possui, mas por retratar a natureza monstruosa do ser humano (ou pelo menos de parte da Humanidade). Recomendo.

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