• hikafigueiredo

"O Moinho das Mulheres de Pedra", de Giorgio Ferroni, 1960

Filme do dia (309/2021) - "O Moinho das Mulheres de Pedra", de Giorgio Ferroni, 1960 - Holanda, século XIX. O jovem Hans (Pierre Brice) chega a uma pequena cidade para encontrar o Professor Wahl (Herbert A. E. Böhme) e tratar com ele detalhes de uma exposição de seu famoso carrossel de figuras históricas. Logo, Hans descobre que o professor mantém reclusa, em sua residência, sua filha Elfie (Scilla Gabel), uma bela mulher que sofre de uma estranha e fatal doença e por ela fica obcecado, para desgosto de Liselotte (Dany Carrel), sua namorada e aluna de artes do professor.





De produção ítalo-franca, a obra aproxima o gênero terror do thriller ao narrar a história de Elfie e seu pai, o Professor Wahl, que assumidamente fará qualquer coisa para manter a filha viva. Sem adentrar pelo terreno do sobrenatural - para a minha decepção, já que terror, para mim, tem que ter espíritos, demônios, bruxas ou similares -, o filme discorre sobre os limites morais do personagem Wahl ao sacrificar vítimas inocentes em nome da saúde da filha enferma. Curiosamente, o argumento que menos me estimulou dentre os filmes do box sobre terror gótico foi o que evoluiu de maneira mais consistente, gerando um roteiro enxuto, bem desenvolvido, sem arestas e envolvente. Não vou dizer que a narrativa não tem pelo menos uma premissa inverossímil, já que a forma como a vida de Elfie lhe é devolvida a certa altura da trama não tem qualquer embasamento científico real, mas, considerando o universo ficcional e como a questão é colocada, foi apresentada de uma maneira bem aceitável, não estragando em nada o desenrolar da história. A narrativa é linear, em ritmo moderado e constante. A atmosfera sombria se mantém, mas, em comparação com os demais filmes do box, a sinto muito mais suave e menos tensa (ou talvez isso só signifique que eu tenho mais medo do inexplicável do que do palpável rs). Diferentemente das demais obras do box, também, a atmosfera é muito mais construída pelos acontecimentos do que pelos elementos técnicos apresentados - aqui não temos uma fotografia muito contrastada, nem recortes de sombras ou posicionamentos de câmera que causem estranhamento; ao contrário, diria que a linguagem cinematográfica utilizada é bem isenta e profundamente convencional. Claro que a trilha sonora continua favorecendo determinadas reações do espectador, mas de um jeito até que discreto em comparação com outros filmes. A direção de arte de época mostra-se adequada e o atelier de esculturas do professor foi composto para realmente parecer desconfortável ao olhar, com sua inúmeras peças soltas, dentre braços, cabeças e corpos incompletos. Das interpretações, a que mais me chamou a atenção foi a de Herbert A. E. Böhme - existe ali certa teatralidade que se encaixa bem no estado psicológico frágil do personagem e algum exagero poderia ser explicado tanto pela arrogância do professor, quanto por seu estado de quase insanidade. O filme me agradou e, considerando o fato de que é um tipo de tema que usualmente não me apraz (ainda que se insira no chamado "terror psicológico", pelo qual tenho predileção dentro do gênero), significa que é uma obra acima da média dentre outras similares. Eu curti e recomendo.

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