• hikafigueiredo

"O Namoradinho", de Ken Russell, 1971

Filme do dia (144/2018) - "O Namoradinho", de Ken Russell, 1971 - Polly (Twiggy) é uma camareira de teatro que é escalada para fazer o papel principal de uma peça musical quando a estrela do show se machuca. Ocorre que, justamente nessa apresentação, um renomado diretor de cinema aparece em busca de novos talentos para Hollywood.





O filme é uma comédia-musical com pitadas de romance, ambientada, exclusivamente, dentro do teatro onde a peça retratada no filme é encenada. Ao longo de seus 136 minutos, a obra mostra o que acontece no palco e fora dele, no balcão e nas coxias, mostrando o embate entre os atores e atrizes para chamar a atenção do diretor de cinema que ali se encontra, com exceção da personagem Polly, que só tem olhos para o protagonista da peça, Tony (Christopher Gable), por quem é apaixonada. Ao contrário de outros filmes do diretor, esta obra é bastante tradicional, tanto no conteúdo quanto na forma, ficando longe da polêmica encontrada no filme "Os Demônios" , filmado no mesmo ano. Também não temos, aqui, a irreverência de "Tommy" ou, ainda, a ousadia de temática de "Gótico" ou de "Crimes de Paixão". "O Namoradinho" é um filme singelo e leve, bem nos moldes dos musicais hollywoodianos das décadas de 1930 a 1950. O conteúdo ingênuo é acompanhado por um formato bastante clássico, que alterna os números musicais da peça encenada com o que acontece fora do palco. Visualmente, o filme é todo certinho, e conta com uma fotografia clara e uma direção de arte colorida e alegre. A ótima trilha sonora chegou a ser indicada para o Oscar da categoria e pelo menos duas canções me soaram familiares. Quanto às interpretações, Twiggy - sim, a famosa modelo - saiu-se tão bem que acabou recebendo o Globo de Ouro por sua atuação - assumo que me surpreendi com os números de dança e as músicas cantadas pela moça e concordo que a personagem Polly, ingênua e meiga, caíram como uma luva para a atriz, com sua aparência frágil e delicada (na real, Twiggy parecia que ia quebrar, de tão pequenininha e magrinha!!!). Christopher Gable, por sua vez, tinha lá seu charme, certamente era simpático, mas daí a ser colocado como galã, não me convenceu. O filme é bonitinho e tals, mas eu o achei meio protocolar e me pareceu feito para, antes de tudo, promover Twiggy, que acabara de abandonar as passarelas e tentava se firmar no meio artístico (com sucesso, por sinal). Em suma, é gostosinho, mas nada de outro mundo. Quem gosta de musical, certamente vai curtir.

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