• hikafigueiredo

"O Rei do Show", de Michael Gracey, 2017

Filme do dia (09/18) - "O Rei do Show", de Michael Gracey, 2017 - EUA, século XIX - De origem humilde, P. T. Barnum (Hugh Jackman) apaixona-se, desde tenra idade, por Charity (Michelle Williams), uma menina rica e bem nascida. Adultos, casam-se e formam família. Disposto a qualquer coisa por sua esposa e por suas filhas, Barnum joga-se em direção a seus sonhos e cria um fabuloso espetáculo circense, fazendo fortuna e atraindo admiradores e detratores.





A obra narra, em forma de musical e evidentemente muito romanceada, a trajetória do empresário de entretenimento Phineas Taylor Barnum, o qual fez fortuna através da criação de um show de variedades que misturava números circenses e curiosidades humanas. A obra tem o mérito de tocar em um assunto caro e importante - o preconceito. Estigmatizados por sua origem (o próprio Barnum), raça (Anne) ou características físicas (um anão, um obeso, uma mulher barbada, um gigante e por aí vai), os integrantes do espetáculo lutam para serem respeitados e aceitos, num lindo movimento empoderador e de auto-aceitação. O acolhimento de uns pelos outros e a força nascida desse apoio fazem, do filme, uma obra emocionante. O próprio caminho trilhado por Barnum é uma verdadeira desconstrução das relações hipócritas, alicerçadas no pantanoso terreno dos interesses e convenções sociais. Só esse conteúdo progressista, quase subversivo, já seria suficiente para fazer do filme algo beeeeem bacana. Mas, além de tudo, a obra é gostosa e envolvente e flui deliciosamente bem. De pontos positivos, temos ótimas músicas, com destaque para a excepcional "This is Me" (que, por sinal, resume todo aquele teor insurgente, renovador e empoderador já mencionado); números musicais vistosos, com coreografias arrebatadoras; direção de arte impecável, que contrasta a vida extra espetáculo em tons de cinza e azul com aquela intra circo, com uma explosão de cores e brilhos; belíssima fotografia; e elenco milimetricamente encaixado nos personagens, em perfeita sintonia. Já os poucos pontos negativos residem nos efeitos especiais aquém do esperado (aqueles animais feitos por computador estão horríveis, "pelamor", e a cena no trapézio dos personagens Anne e Phillip merecia um maior cuidado na sua realização, dentre outros); e na dublagem não tão bem feita dos números musicais (as vozes nitidamente não saíam das bocas dos intérpretes e isso incomodou um bocado). Esmiuçando melhor as interpretações, temos um Hugh Jackman muito à vontade como Barnum (ô, homão da porra, misericórdia!!!!); Michelle Williams cede doçura e equilíbrio à personagem Charity; Zac Efron, todo bonitinho (como sempre), dá vida ao "menino rico" Phillip Carlyle; Zendaya está bem como a gracinha Anne; e Rebecca Fergunson desperta uma mágoa considerável como a cantora Jenny Lind. Destaque para a cativante Keala Settle como mulher barbada. A química entre os diversos personagens é perfeita e pode ser considerada um dos maiores méritos do filme. Ah, apesar dos defeitinhos, a obra me arrebatou e eu curti muito mesmo. Recomendado.

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